Outlander: A Viajante do Tempo é o primeiro volume de uma série com oito livros já publicados e uma série com várias temporadas garantidas. Desde o lançamento da série no canal Starz, a leitura do livro já tornava-se uma missão para mim, uma admiradora da adaptação televisiva. Entretanto, as 800 páginas me afastavam da finalização do plano. Mas quando decidi começar a leitura, não parei mais e estou ávida pela continuação.
Claire e Frank Randall estão em sua segunda lua de mel, após o fim da Segunda Guerra Mundial na qual trabalharam em lugares separados. Numa pacata cidade da Escócia, eles decidem aproveitar o tempo livre após a dispensa do serviço militar para ficarem juntos e conhecer um pouco daquela região tão envolvida em lendas e história.
Logo nas primeiras cenas, Frank evidencia seu amor por genealogia e seu desejo de entender a relação entre ele e seu antepassado, Jack Randall, um dos capitães do exército britânico na época das constantes lutas entre a Coroa e o clã MacKenzie no século XVIII. Enquanto isso, Claire aproveita o tempo para divagar e apreciar monumentos, ouvir lendas e buscar sentidos nelas quando a escuridão invade seu quarto.
Uma mulher empoderada, autossuficiente e desdenhosa aproveita os dias ao lado de seu marido estudioso, fiel e aplicado na realização de seus caprichos. Mas e se Claire se envolvesse em fatos místicos e viajasse no tempo deixando Frank para trás, ela conseguiria viver sem seu amado? E é justamente isso que acontece, e Claire prova que não consegue apenas conviver com a saudade, mas que consegue se virar muito bem sozinha, mesmo em um caos de guerra.
A verdade é que nada se movia, nada mudava, nada parecia acontecer e, ainda assim, eu experimentava uma sensação de terror tão grande que perdi completamente a noção de quem ou o quê eu era, de onde me encontrava. Estava no âmago do caos e nenhuma força física ou mental era útil contra isso.
Narrando em primeira pessoa suas peripécias desde encontrar-se no meio de uma batalha entre o clã MacKenzie e o exército britânico em 1743, até quando ela conhece e salva Jamie Fraser com seus talentos curandeiros, tornando-se a enfermeira do clã e sendo levada com eles, para sua nova vida. Entretanto, é vítima de vários ataques por ser considerada desleal por saber tanto sobre as terras britânicas, informações ligadas a sua vida em 1945.
Assim, o vocabulário rebuscado e as alusões históricas mesclam-se com a guerra, o ódio, o amor, a lealdade e outras características viscerais. O livro é repleto de personagens esféricos, adultos com tramas realmente preocupantes. Em meio a tantas leituras juvenis que fiz, senti a diferença, principalmente na descrição profunda e no erotismo (que aparece sem tabu e sem vulgaridade).
Sem dúvidas, o melhor do livro está na ideia genial da mistura de gêneros. História, viagem no tempo, romance de época, romance de Segunda Guerra... tudo isso é encontrado com maestria em Outlander: A Viajante do Tempo, por isso já esperava que se tornasse um dos meus livros preferidos e foi o que aconteceu.
Quanto ao desafio de ler um livro extenso? Foi fácil quando a autora tem propriedade em cada linha que escreve e uma desenvoltura em tornar todos os personagens e cenas o mais vívidas possível.
Título Original: Outlander
Autora: Diana Gabaldon
Páginas: 800
Tradução: Geni Hirata
Editora: Arqueiro
Livro recebido em parceria com a editora
