As capas dos livros, às vezes, me compram mais que os livros em si. Bastou eu colocar os meus olhos n'O Pintor de Memórias e me apaixonar pela arte dele para eu ter certeza de que o queria na minha estante. É claro que muitas vezes essas coisas não dão certo e acabamos odiando os livros mas, com essa obra divina foi diferente. Já me prendi nas primeiras páginas e não consegui largar por nada no mundo.
Gente do céu, eu posso falar um milhão de pontos positivos desse livro aqui nessa resenha, mas duvido que conseguirei expressar o que eu senti por essa história. Primeiro que a chamada dela já mata a gente de curiosidade: "um amor que atravessa o tempo". E sim, pode até não parecer, mas sou extremamente romântica e acredito demais que não vivemos uma única vida e, que nas outras, estamos destinados a mesma pessoa das vidas anteriores.
Agora imagine você sonhar com todas as suas vidas passadas. E o melhor: depois do sonho, misteriosamente, quando acorda, detém de todos os talentos delas. Ficou um pouco confuso? Eu explico melhor: Bryan Pierce é um pintor talentosíssimo, mas só porque um dos seus "eus" passados era e ele sonhou com isso. Ah, além de saber jogar xadrez inexplicavelmente bem, sabe falar inúmeras línguas. O mesmo acontece com Linz Jacobs, mas em uma proporção um pouco menor. Os dois são os protagonistas dessa história incrível que une passado e presente a todo momento.
Quando ela se virou para ele, fitou-a, sem conseguir se desviar, enquanto reconhecia vidas inteiras escondidas naqueles olhos. Ao encontrá-la naquele momento, soube, sem sombra de dúvida, que as visões que o assaltavam desde a infância eram, na verdade, memórias […] seus sonhos eram peças de um passado que pertencia à sua alma. (p. 23)
Em certo momento da história, Linz e Bryan se encontram. Claro que sim, afinal, eles pertencem um ao outro, não é mesmo? Como Linz não consegue se lembrar de muita coisa do passado, acaba achando, assim como todas as outras pessoas, que Bryan tem algum distúrbio psicológico. A narrativa é em terceira pessoa e alterna entre os personagens principais. Esse fato tinha tudo para deixar a história totalmente confusa, mas senti mais como se fosse um bônus conhecermos os pensamentos mais íntimos dos dois.
O Pintor de Memórias é aquele tipo de livro que agrada porque é totalmente balanceado: tem romance, mas não é o foco da história; tem suspense, ação e aquele mistério maravilhoso que faz ser impossível largar a leitura até ter chegado ao final. E gente, me surpreendi demais nos últimos 15% do livro, tudo que eu achava que tinha certeza na verdade não era, fui totalmente enganada! Também amei intensamente a forma como Gwendolyn Womack inseriu personagens não-fictícios na trama, fazendo-a ficar ainda mais envolvente.
Talvez, para algumas pessoas, o fato de a autora inserir um pouco de Ciência à história seja um ponto fraco, já que deixa a narrativa um pouco lenta. Mas ah... Eu sou amante da Ciência, como não gostar de um livro em que o assunto é abordado? Simplesmente falar o quanto eu amei esse livro talvez não seja suficiente para deixar vocês curiosos, mas talvez todo o mistério em volta das vidas de Bryan e Linz falem por si só.
Título Original: The Memory Painter
Autora: Gwendolyn Womack
Páginas: 379
Tradução: Ronaldo Sergio de Biasi
Editora: Record
Livro recebido em parceria com a editora
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