Clayton Ridell acaba de vender sua história em quadrinhos e finalmente vai poder provar para Sharon e Johnny que é capaz de sustentá-los novamente. O hobbie caro agora seria profissão e nada no mundo poderia estragar o sentimento de felicidade de Clay, que para comemorar a conquista recente, decide tomar um sorvete, no centro de Boston, próximo ao seu hotel. O que Clay não esperava é que o apocalipse começasse a acontecer lá, naquele exato momento.

Todas as pessoas que estavam com um celular receberam o que posteriormente foi chamado de "o grande pulso". Todas elas acabaram se tornando uma espécie de zumbis, não estavam mortos, mas haviam apagado toda a sua "programação" de civilidade, e não passavam de animais raivosos e sanguinolentos. No meio de toda confusão, Clay conhece um senhor de bigodes, Tom McCourt, e logo após disso a adolescente Alice Maxwell, e os três parecem entender bem onde tudo aquilo começou. Precisam se afastar dos grandes centros que queimam incessantemente, dos fonáticos malucos e principalmente dos celulares, que sabe-se deus até quando vão emitir aquela programação dos diabos.

Clay não sabe se Johnny, seu filho pequeno, estava com Sharon ou não no momento do pulso, mas sabe que precisa ir até o Maine, cidade de Kent Pond, para descobrir o que aconteceu. Tom e Alice prometem se juntar à Clay e partem em uma jornada perigosa e noturna, já que agora os fonáticos parecem sair de dia para se alimentar. Os seres humanos então, precisam viver nas sombras.

Ao mesmo tempo, ergueu o próprio rosto manchado de sangue para o céu azul-celeste de outubro e uivou de uma maneira que parecia triunfante.

Se eu disser que não me emocionei com esse livro, estarei mentindo. Celular não é só um livro que fala de apocalipse ou pessoas que estão em um estado descontrolado. Ele trata sobre amizade, sobre coragem e pessoas que sentem de mais. Parece que você já ouviu isso sobre um outro "livrinho" do King por aí, e sim, é o que muita gente fala sobre It, a Coisa.

Fato é que Celular também é sanguinolento, gráfico e levanta muitas questões na mente do leitor. Fiquei mal e triste durante toda a leitura por causa de escolhas que Clay, Tom e Alice precisaram fazer, que eu mesma teria que fazer se estivesse no lugar deles caso estivesse viva ainda. Não deu pra não sentir vontade de socar o King e ao mesmo tempo abraçar o mestre, que escreveu três personagens fantásticos, mais uma vez.

Mas claro que eu não serei só elogios. Vi muita, muita gente mesmo, reclamando do final desse livro, que foi raro no Brasil por tantos anos. Eu sei na verdade as razões disso: o final de Celular é aberto, e não deixa nada claro o que acontece. Você vira a página e fica se perguntando incansavelmente "o que diabos ele quis dizer com isso?". Então talvez você ache meia boca... Eu gostei, por não ver necessidade em explicar tudo, mas isso pode ser um problema.

Meu sentimento após fechar Celular foi de estar desamparada, e escrever essa resenha chega a ser difícil, pois parece que abro mão de coisas importantíssimas. Espero que um dia vocês, que tem muito medo, pelo menos cogitem a ler Celular. Acho que, como disse antes, esse livro é muito mais sobre pessoas e suas ações, do que de fato de terror. Ah, a leitura também tem muitas referências de músicas e tecnologia, se você quiser, o King já te dá até uma playlist pra ler o livro, que é tão animadinha que chega a dar arrepios!

Título Original: Cell

Autor: Stephen King

Páginas: 384

Tradução: Fabiano Morais

Editora: Suma

Livro recebido em parceria com a editora