Está aí mais uma edição dos Prémios "Livro do Ano" da Bertrand Livreiros. Ficção portuguesa, ficção estrangeira, não-ficção, etc., muitos candidatos para o público eleger o do seu coração. Descubro que é preciso votar porque encontro apelos para isso de uma das minhas autoras (Luísa Sobral) que se diz entre os finalistas do romance nacional com o livro Nem Todas as Árvores Morrem de Pé. Mas, no mesmo dia, constato que outro dos meus autores, vencedor do Prémio LeYa com o romance Pés de Barro (Nuno Duarte), está exactamente na mesma situação. E, como a sabedoria popular ensina que não há duas sem três, deparo-me ainda com O Último Avô, de Afonso Reis Cabral, no rol de finalistas de ficção em língua portuguesa. São três romances que publiquei no ano passado e, claro, fico muito contente com a distinção destas três obras. Mas o problema é que só se pode votar uma vez. E eu não vou escolher, não posso. Gosto muito dos três livros e não faria a má acção de eleger só um. Claro que se perde um voto, mas às vezes mais vale isso do que ficar de consciência pesada ou ter posteriores arrependimentos. Enfim, vou gastar o meu voto nos livros traduzidos: é que também tenho na final Despedidas Impossíveis, o mais recente romance de Han Kang; que bom não ter mais concorrentes publicados por mim nesta categoria.
Inquietações
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Texto originalmente publicado em Horas Extraordinárias