Na cidade de Castle Rock (sim, você já ouviu esse nome, muitas histórias do King se passam aqui) vive o escritor Thad Beaumont. Ele, a esposa Liz e os gêmeos levam uma vida tranquila. Seus livros não são muito famosos, estão sempre na média e ele gostaria que isso mudasse. Já George Stark tem livros muito conhecidos e apreciados, e apesar de toda violência contida neles, o público parece sempre clamar por mais.
Mas Thad e George são a mesma pessoa, e essa revelação choca a muitos. Thad decidiu por um fim em seu pseudônimo organizando um show e chamando toda a mídia para assistir o funeral, com direito a lápide falsa e tudo. Já que esse é um livro do King, sabemos que as coisas não acabam aí. Quando Thad começa a escrever novamente algo o atormenta. O enterro de mentira parece ter dado voz ao morto... Seria isso possível? Aparentemente sim, já que alguém está matando pessoas muito próximas a Thad, e ele jura que o culpado é George Stark. Ou seria ele mesmo?
Uma coisa interessante no fim das contas é que o próprio King escreveu livros sob um pseudônimo por um tempo de sua vida. Richard Bachman tinha livros muito mais sombrios do que o King, que começou a usar esse nome para tentar entender se suas obras vendiam pela fama do seu nome ou por serem boas. A Metade Sombria surgiu justamente por que em 1985 a história foi descoberta e King precisou se livrar de Bachman.
Quando ele começava a escrever, muitas vezes era assim: um exercício seco e estéril. Não, era pior que isso. Começar sempre parecia meio obsceno, como beijar de língua um cadáver.
Stephen King, na minha opinião, é o único autor capaz de criar cenários ridiculamente bizarros e fazer com que a gente acredite neles. Às vezes podemos até pensar que nada tem lógica, mas sentimos medo/tensão do mesmo jeito. Por exemplo, como explicar o fato das digitais e do DNA do assassino serem as mesmas de Thad Beaumont, sendo que é impossível que ele tenha cometido os crimes? Isso porque sempre havia alguém com ele nesses momentos, então confirma que seria tecnicamente impossível, não é?
Além de achar o desenvolvimento de A Metade Sombria sensacional — não só o enredo, mas também os personagens — gosto mais ainda de a história em si ser tão ligada ao King. Eu sei que cada livro dele é um pedaço dele, mas sempre que ele cria um protagonista que é escritor, é muito mais fácil enxergar essa essência. Ao meu ver, Beaumont é nada mais nada menos que um "outro eu" do King.
Ademais, como o próprio nome indica, esse é um dos livros mais sombrios do Mestre simplesmente porque ele mexe com o leitor na medida em que trabalha com a personalidade do personagem, que não deixa de ser uma pessoa comum, que tem um trabalho comum e uma família comum. Quer dizer, ele trabalha com a dualidade de todos nós, seres humanos, afinal, todos não dizem que cada um tem um lado bom e um lado ruim?
A nova edição da Suma está uma maravilha, dispensa comentários. Não vejo a hora de relançarem mais livros sensacionais na Biblioteca Stephen King. Ah, só um último aviso antes de mais uma leitura incrível: no final desse livro tem spoiler do próprio King sobre O Concorrente, que é outra obra do autor. É bom avisar :P
Título Original: The Dark Half
Autor: Stephen King
Páginas: 464
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Suma
Livro recebido em parceria com a editora
