Sabrina Boggs é uma mulher de 30 anos cuja rotina já se tornou um tanto monótona. Ela trabalha como salva-vidas em uma casa de repouso e todos os dias por lá são praticamente iguais. Até que ela se distancia por cinco minutos e um quase afogamento acontece. Perplexa com isso, Sabrina tem um ataque nervoso, então seu chefe a manda tirar o dia de folga. Quando chega em casa, recebe um telefonema da casa de repouso em que seu pai está. Ao chegar lá, ela se depara com caixas com antigos pertences de seu pai. Ao abrir uma caixa, se depara com uma imensa coleção de bolinhas de gude e um inventário escrito à mão.

Depois desta descoberta, Sabrina percebe que as bolinhas de gude mais valiosas, de acordo com o inventário do pai, estão desaparecidas, e decide partir em busca delas. A busca de Sabrina começa com o intuito de recuperar as bolinhas perdidas, mas quanto mais ela descobre, mais a aventura toma um outro rumo. Ela percebe que o homem que conheceu era apenas uma face de seu pai e que, aparentemente, há muito mais dele que ela não conhece do que o contrário.

Ocupo a cadeira de salva-vidas cinco dias por semana, das nove da manhã às duas da tarde, e observo, enquanto três pessoas por hora entram na piscina para nadar. É um fluxo constante de monotonia e calma. Nada acontece.

Todos os personagens foram muito bem desenvolvidos e a história nos envolve a cada página. Os capítulos são divididos entre o ponto de vista de Sabrina, no dia em que descobre as caixas de bolinhas de gude e o ponto de vista do pai, Fergus, ao passar dos anos. As histórias de Fergus estão sempre de acordo com alguma coisa que Sabrina descobriu, para que possamos nos situar bem e termos uma visão mais ampla do todo. A riqueza de detalhes nos transporta ao mundo do livro e podemos sentir cada emoção junto aos protagonistas.

Desde o primeiro capítulo, que começa da perspectiva de Fergus, nos envolvemos com a história e entendemos cada decisão tomada pelo menino Fergus e futuramente pelo homem em quem ele se transforma. Com um bom coração, ele foi sempre reprimido, principalmente depois de casado. Sua esposa e filha não faziam ideia do seu outro lado e, a cada vez que ele tentava se mostrar, acabava escapando ou desistindo da ideia. Na cabeça dele, elas não entenderiam este lado dele.

São três horas da manhã e estou na rua como Hamish. Ele sempre vem me buscar à noite, mas, ultimamente, tem sido diferente, nada de cutucões, nem de chutes, nem a mão na minha boca pra eu não gritar de susto, como eu costumava fazer quando ele me acordava no meio da noite. Em vez disso, agora joga pedrinhas na janela pra me acordar. Ele não está morando em casa há alguns meses, desde que a mamãe o pôs pra fora.

É muito interessante perceber como as mentiras dos pais influenciaram Sabrina e a mulher que ela se tornou. Conforme ela vai descobrindo mais segredos, ela percebe como quer ser diferente, como não quer que seu casamento acabe como o dos pais. É possível sentir sua frustração e por vezes raiva ao longo do caminho.

O mistério do que aconteceu com as bolinhas de gude mais valiosas e a curiosidade em descobrir todos os segredos de Fergus nos colam ao livro de forma que não conseguimos parar de ler. A protagonista se coloca em várias situações por vezes engraçadas e outras desastrosas, mas no final entendemos também sua vontade de ir a fundo, de entender quem é o homem com quem ela cresceu.

Como todo livro escrito pela Cecelia Ahern, em minha opinião, O Colecionador de Memórias é de leitura fácil e leve. Não há nada muito pesado na história e é possível ler o livro inteiro de uma vez só.

Título Original: The Marble Collector

Autor: Cecelia Ahern

Páginas: 272

Tradução: Alice Klesck

Editora: Novo Conceito

Livro recebido em parceria com a editora