Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

Depois de ter lido Os magos, fiquei pensando por um tempo no quanto o livro é realmente bom (podem conferir minha opinião aqui, na de Leonardo aqui), mas nem imaginava que uma continuação estava sendo escrita pelo autor. E foi por um acaso muito grande que me deparei com O Rei Mago. Estava na livraria, apenas numa visita de rotina, quando vi a capa do livro, e reconheci a fonte do nome O Rei Mago, peguei e mostrei a minha, então namorada, hoje noiva, Renata. “Olhe: igualzinho àquele meu livro, Os Magos..”. Quando peguei o livro na mão foi que vi o nome do autor, e associei um livro ao outro.

Bem, depois da historinha, vamos ao que interessa. O livro começa com Quentin e companhia no reino de Fillory, onde eles deveriam estar vivendo o “felizes para sempre” do volume anterior. Mas como o personagem principal tem uma vontade absurda de ser o herói, acaba por embarcar numa grande aventura, digna dos grandes livros de fantasia.

Nesse ponto o livro se divide em duas histórias contadas simultaneamente: em uma delas seguimos Quentin, que acaba por voltar para a terra com Julia, e a outra parte é exatamente a história de Julia. Como ela conseguiu virar uma maga, já que não tinha conseguido entrar em Brankebills, a escola de magia.

A história de Julia é muito interessante. É a história principal, digamos assim. É ela que coloca os pontos nos “is”, e explica o desfecho final, por isso não falarei mais dela por aqui, para não entregar nenhum spoiler.

Já a aventura que eles empreendem em Fillory, é um caso totalmente diferente. É nela que Grossman se empenha para fazer as suas principais homenagens e brincadeiras com a fantasia e seus escritores num modo geral. E tudo vira uma grande “brincadeira”, ou uma metaliteratura, digamos assim. Os reis de Fillory entram na aventura e a vivem, como se tivessem lendo um mapa. Por exemplo: eles entram na empreitada de encontrar as sete chaves de ouro, mas simplesmente disseram: encontre-as. Não disseram por onde começar. Então eles pensaram: nos livros eles simplesmente tinham fé, e se punham a andar em frente. Os heróis de verdade sempre tropeçavam nos seus objetivos, se tivessem a fé necessária, conseguiriam.

Com esse raciocínio em mãos eles continuaram a aventura, e sem perceber, Quentin acabou virando um herói de verdade, o que mostrou a grande habilidade do escritor de escrever um livro onde o mote principal é uma aventura de clichês, com aventureiros que conheciam e já os adivinhavam de antemão, com uma boa história como pano de fundo (a história de Júlia), e ainda fazer um final surpreendente, que me deixou com uma revolta absurda, mesmo sabendo que tudo teve lógica e não houve nenhum tipo de apelação para causar esse sentimento no leitor (eu).

Um ótimo livro, que todos que se dizem fãs de fantasia deveriam ler.

4 estrelas em 5.