Mateo Torrez e Rufus Emeterio vão morrer a qualquer momento do dia 05 de setembro. Os dois receberam a temida ligação da Central da Morte e não há nada a fazer a não ser esperar o fatídico acontecimento. Provavelmente várias pessoas irão morrer nessa mesma data, então vocês estão se perguntando qual a conexão entre Mateo e Rufus, não é mesmo? Acontece que ambos estão sozinhos e querem mudar esse fato, então resolvem fazer um perfil em um aplicativo chamado Último Amigo e é dessa forma que eles se encontram.

É óbvio que antes mesmo de começar já sabemos o que vai acontecer com nossos protagonistas, mas o desfecho da história, se analisarmos o caminho que Mateo e Rufus trilham para que ele aconteça, é realmente o que menos importa. A questão que eu achei deveras engraçada é que muita gente fala que o título é um grande spoiler da trama, mas na verdade Os Dois Morrem no Final só nos mostra a única verdade que temos certeza na vida, a de que todos vamos morrer. A diferença é que não sabemos quando.

Certa vez, meu pai me contou que dizer adeus é "o impossível mais possível", porque você nunca quer dizê-lo, mas seria estupidez não o dizer quando se tem a oportunidade — p. 73

De certa forma, acredito que Adam Silvera quis mostrar que o real sentido da vida não é o final dela, e sim o que fazemos com esse intervalo de tempo que temos. É, de fato, uma mensagem muito bonita e fico até meio triste ao escrever essa resenha, porque o livro não funcionou muito bem para mim. Justamente por causa do tema, esperava uma história muito mais emocionante. Na minha percepção, a narrativa é muito mais melancólica do que emocionante, e há uma grande diferença entre esses dois termos. 

A questão é que a propaganda do livro é literalmente "uma história sensível e emocionante", e quando falamos de emoção, nossa expectativa é chorar todas as lágrimas que guardamos exatamente para esse momento e, infelizmente, isso não aconteceu comigo. Não bastam trechos bonitos, que existem aos montes em Os Dois Morrem no Finalescritos unicamente com o propósito de nos fazer refletir, sabem? Ai gente, para ser bem sincera, achei tudo até um pouquinho chato. Agora, sobre a sensibilidade sou obrigada a concordar, até porque é muito difícil falar sobre a morte de forma tão respeitosa como Adam Silvera fez, ainda mais de duas pessoas tão jovens quanto Rufus e Mateo.

— Só acho que não é meu papel julgar quem precisa de verdade de ajuda ou não, como se eles precisassem dançar ou cantar uma música para provar que merecem. Pedir ajuda quando você precisa deveria ser o bastante — p. 135

Eu fiquei tão triste por não ter gostando muito desse livro, gente! Esse negócio da Central da Morte, da possibilidade de podermos saber exatamente o dia que vamos morrer para tentarmos compensar tudo o que não vivemos nesse único dia, é genial e, ao mesmo tempo, aterrorizante. Acho que estava esperando algo um pouco diferente, mais tocante e profundo, talvez. Mas é aquele ditado, a expectativa fui eu que coloquei, e nenhum autor tem obrigação de suprir as expectativas que os leitores colocam sobre suas histórias.

Título Original: They Both Die at the End ✦ Autor: Adam Silvera

Páginas: 416 ✦ Tradução: Vitor Martins ✦ Editora: Intrínseca

Livro recebido em parceria com a editora