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Set23

Maria do Rosário Pedreira

Li há muitos anos alguma poesia de Rabindranath Tagore, um Prémio Nobel da Literatura oriundo da Índia,  nascido em 1861. Não conhecia, porém, nada da sua prosa (lamento, mas é verdade), talvez também porque ela não abunde em tradução portuguesa e, quando visitamos as livrarias, somos sobretudo chamados por livros vertidos para a nossa língua e livros actuais. Tratando-se de um escritor importante, devemos, pois, agradecer que a E-Primatur (que tem vindo a recuperar alguns clássicos fora de circulação, e não só) tenha recentemente dado à estampa A Casa e o Mundo, publicado originalmente em 1916 e considerado então extremamente inovador pela forma como toma como centro da narrativa uma mulher, cujo marido (um marajá) a ama e ilustra para mal dos seus pecados, pois logo aparece um revolucionário algo interesseiro que a arranca do seu sossego palaciano. Mas é também um livro sobre a dificuldade de um país mudar, se libertar do opressor, se autonomizar, fazer as escolhas certas, ter, em suma, a sua identidade – com todos os erros crassos inerentes às tentativas de alcançar o progresso. Muitíssimo interessante em termos históricos e políticos, às vezes algo rocambolesco e gracioso nos seus volte-face, original na pluralidade de vozes, de vez em quando fez-me recordar, no tom, Hermann Hesse e os seus livros indianos. A Casa e o Mundo foi considerado um dos dez livros asiáticos mais importantes de sempre. A edição portuguesa tem uma capa belíssima.