Título Original: Gold
Autor: Chris Cleave
Páginas: 336
Tradução: Claudio Carina
Editora: Intrínseca
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Eu tenho uma amiga que é louca por Pequena Abelha, uma obra desse mesmo autor. Ela fala tão bem do Chris Cleave que quando vi esse livro por apenas cinco reais na livraria Cultura não tive dúvida alguma sobre comprá-lo. Apenas com essa história, o autor se tornou um daqueles escritores que a gente teria coragem de comprar até o bilhetinho que ele deixa na geladeira para a esposa. Apesar de ter criado uma história simples, que foca no dia a dia dos personagens, ele conseguiu ser super original.


O livro é focado principalmente em três personagens: Jack, Kate e Zoe, mas, para mim, a história é sobre Sophie, a filhinha de Jack e Kate. Os três são ciclistas e se conheceram aos 19 anos durante o Programa de Potenciais de Elite e, apesar de terem personalidades tão diferentes, tinham um objetivo em comum: competir nas olimpíadas. Tom é o treinador de Kate e Zoe, que são aquele tipo de amigas que competem em tudo, tudo mesmo. Vocês podem imaginar a reação de Tom quando descobriu que apenas uma de suas corredoras teria a chance de ganhar o ouro. 

Além de toda essa confusão, Kate e Jack têm que lidar com Sophie, uma menininha super meiga, corajosa e madura mas que, infelizmente, sofre com aquela maldita doença que muitos autores são fãs, o câncer. Sophie tem leucemia e por isso o casal tem que se virar para continuar treinando sem deixar de cuidar da filha, principalmente porque ela piora a cada dia que passa e, aparentemente, a quimioterapia não está funcionando muito bem. Ah, se teve uma coisa que eu adorei foi Sophie ser fã de Star Wars, foi meio que um refúgio que ela encontrou para lidar com a sua doença. 

O amor não devia exigir reafirmações constantes. (pág. 17)

Não vou negar que achei as primeiras 40 páginas do livro um pouco lentas, mas esse quadro muda totalmente quando conseguimos nos inserir na história. Apesar de falar sobre os ciclistas, como é a rotina deles e tudo mais, não é uma história focada no esporte em si, por isso não fica chato. O livro vai alternando entre o presente e o passado e é só a partir daí que podemos entender o que está acontecendo com os personagens no agora. Chris Cleave não vai nos entregando as informações assim tão facilmente, é claro, a cada página vamos conhecendo um pouco mais sobre cada um dos protagonistas. 

E por falar em protagonista, acho que nunca li uma personagem tão detestável quanto a Zoe. Quem leu o livro pode até discordar de mim, mas ô mulherzinha arrogante e prepotente! Além de ser totalmente egoísta. A vida não gira em torno do umbigo da gente né, convenhamos. Tá pra nascer personagem mais frio e calculista que a Zoe, que faz de TUDO para ganhar o ouro, mesmo que isso signifique sacrificar suas amizades, sacrificar sua vida, sacrificar qualquer coisa que ela vê pela frente e tô me segurando aqui para não dar spoiler, alguém me segura! Sério, toda vez que as partes da narração eram sobre a Zoe e que tinha a oportunidade de conhecer os pensamentos dela, eu tinha vontade de entrar no livro e dar uma nela, juro. Okay, eu posso até concordar que nenhum personagem desse livro é totalmente culpado ou totalmente inocente, mas essa mulher não me desce de jeito nenhum. As atitudes dela não são atitudes de gente decente, pronto, falei. 

Chris Cleave apresenta um drama totalmente real, daqueles que envolvem a gente de uma forma que não conseguimos explicar. Quando você pensa que não, já chegou o final do livro e ficamos lá, olhando pro nada com aquela cara de quem acabou de apanhar da vida e não sabe o porquê. O mais importante é que as questões abordadas não giram em torno da importância de ganhar, e sim de competir, não desistir nunca das coisas, de lutar por aquilo que acreditamos. Só digo uma coisa: esse livro não entrou para a minha seleta lista de favoritos a toa, viu?