
Quando li a sinopse do Dicionário das Palavras Perdidas, de Pip Williams achei que o iria ler, em breve, e comecei a leitura com bastante expectativa. O livro é inspirado em factos e personagens reais e permite acompanhar o processo de elaboração e edição de um Dicionário, no final do XIX.
Este romance conta-nos a história da pequena Esme, que vive em Oxford (1886), com o pai, e que se esconde debaixo da mesa de classificação onde são selecionadas, por um grupo de lexicógrafos, as palavras para o primeiro Dicionário de Inglês.
Este é o ponto de partida para acompanharmos a vida de Esme num mundo de repleto de palavras, umas mais importantes que outras, em que as palavras ditas no dia a dia pelo povo, as palavras utilizadas pelas mulheres não têm relevância suficiente para constar de um Dicionário e que, por isso mesmo, são esquecidas.
O livro é, igualmente, sobre o papel da mulher no final do século XIX, início do século XX, as escolhas que são obrigadas a fazer e a luta pelo direito ao voto das mulheres em Inglaterra.
No início, foi uma leitura lenta e tive dúvidas se devia continuar a ler este livro. Troquei umas mensagens no Instagram com uma leitora que estava um pouco mais adiantada na leitura e decidi dar mais uma oportunidade ao livro. Ainda bem que o fiz!
Este é um livro que merece ser lido com atenção e que nos faz refletir sobre a relevância e o significado das palavras. Além disso, e não menos importante, fez-me pensar sobre o papel da mulher no final do século XIX, a importância do voto e das nossas escolhas.
A capa do livro é lindíssima e a organização dos capítulos está em consonância com a capa e com toda a história.
Não sei desenhar, mas as descrições do Scriptorium fizeram-me ter vontade de saber desenhar e de colocar no papel a forma como imaginava o espaço onde decorria a seleção e validação das palavras.
“- Prefiro dizer que lhes dou substância. Uma palavra real é uma palavra dita em voz alta e que significa qualquer coisa para alguém. Nem todas conseguem desbravar terreno até conquistarem lugar numa página. Há palavras que toda a vida ouvi dizer e que nunca vi impressas. “(pág. 100).
Boas leituras!