Mais um dia, mais uma livraria.
Quem me falou nesta livraria foi a Carolina, por ter lido sobre ela num livro que se chama, precisamente, Livrarias. Localizei-a após sair do Musée de Cluny, onde tinha ido com o melhor companheiro ver uns unicórnios e ficar um pouco desiludida - mais fiquei pois, sendo Domingo, a livraria estava fechada. Mas claro que anotei para lá regressar no fim de semana seguinte.
A Rive Gauche é agora a minha zona preferida de Paris. Fora as Tuileries, vá; se outrora preferia a zona em torno do Musée du Louvre, e mesmo quiçá uma Place Vendôme que não representa de todo a cidade real, desta vez o lado artístico, cultural e recheado de livrarias de St. Michel e St. Germain conquistou-me totalmente. Atravessar a Île de la Cité, descer pela Blvd St. Michel, virar à direita na St. Germain e seguir em frente até ser altura de virar novamente à direita e terminar no Musée d'Orsay parece-me o passeio de sonho (isto aconteceu).
Mas estou-me a dispersar.
A Librairie Compagnie não é a mais bonita do mundo, mas tem uma curadoria obviamente fantástica; tem os livros cuidadosamente divididos, entre os livros "normais" e os poches, que são os livros de bolso, que são extremamente populares (e baratos!) por França. Temos a poesia, a literatura francesa que ocupa uma parte gigantesca da livraria - e pudera, com a bagagem literária deste país. A literatura sul-americana estava exposta em várias mesas, e outras estantes dedicavam-se à literatura escandinava, centro e sul-europeia, russa, italiana, portuguesa... o destaque na montra era dado à literatura húngara, que quero explorar melhor após ter lido o Viajante à Luz da Lua.
Foi aqui que, finalmente, encontrei L'immoraliste. Podem ler este meu post super antigo sobre um dos meus livros favoritos de sempre: La porte étroite, de André Gide. Não vou falar aqui de La porte étroite (há um post linkado para isso, afinal); mas L'immoraliste é o livro que supostamente "complementa" La porte étroite, pelo que eu precisava deste livro desde 2010. Encontrava frequentemente nas livrarias Les faux-monnayeurs, que também quero ler, mas andava a exercitar o chamado auto-controlo; encontrei este, finalmente, e a minha felicidade foi enorme.