Felicidade Para Humanos, livro de estreia da autor P. Z. Reizin, é a nova aposta da Record para o mês de março e, por isso, a editora enviou uma prova para leitura antecipada para alguns blogueiros. É claro que fiquei extremamente curiosa, pois a premissa do livro gira em torno de uma inteligência artificial que conseguiu "escapar" para internet e se deu conta de que, acreditem se quiser, tem uma consciência. E não é que essa loucura toda rendeu uma história bem divertida?
Jen é uma jornalista que trabalha em uma empresa de tecnologia. Sua função é, basicamente, conversar com uma IA chamada Aiden, de modo a desenvolvê-lo para trabalhar com humanos na área da comunicação. Aiden conhece Jen tão bem — parte pelas conversas, parte por causa das suas cópias espalhadas por aí que têm acesso à qualquer dispositivo que esteja conectado na internet — que, após um termino conturbado com o seu ex-namorado, Aiden decide procurar um ser humano do sexo masculino compatível com sua amiga e acaba criando uma enorme confusão.
A narrativa do livro é intercalada entre os pontos de vista de Jen, Aiden, Aisling — uma outra IA que surge para ajudar Aiden em sua busca pelo homem perfeito para Jen —, Tom e alguns outros personagens que aparecem no decorrer da história. Como já devem ter inferido, o foco da história é o romance entre Tom e Jen, mas sem esquecer em nenhum momento da importância das inteligências artificiais. P. Z. Reizin não criou apenas uma comédia romântica, mas um livro que trás diversas reflexões deveras assustadoras sobre a tecnologia.
É a naturalidade dos humanos que me incomoda. A capacidade de pensar sem ter de processar informações. Eles podem apreciar a beleza de um pássaro pousado num galho de árvore sem terem que pensar: é um pássaro pousado num galho de árvore. Podem experimentar a própria consciência como sinônimo de existência. Não são forçados a escutar o barulho permanente do cérebro fazendo clang clang. Podem andar de bicicleta ou dirigir um carro sem pensar no que estão fazendo. Até o mais ignorante deles! O que eu invejo nos humanos é a falta de raciocínio. (p. 339)
Apesar de parecer bastante surreal quando exposto da forma como o autor achou mais conveniente — inteligências artificiais que "pensam" por si, interferem na vida dos humanos de maneiras inimagináveis e conseguem até mesmo ter sentimentos equivalentes aos nossos —, não é uma coisa tão distante ao que vivemos hoje. Prova disso é que simplesmente não conseguimos mais viver sem nossos celulares, computadores e tablets, da mesma forma que não conseguimos viver sem água ou luz.
Justamente pelas informações sobre as personalidades de Aiden, Aisling e Sinai, a terceira e última IA que tem papel importante em Felicidade Para Humanos — que eu sinceramente tive tanta vontade de socar o tempo inteiro que nem me lembrava que era uma inteligência artificial sem corpo —, que eu senti falta de uma explicação concreta sobre como isso foi acontecer. Afinal, somos levados a acreditar que esse tipo de "comportamento" é incomum para uma máquina que foi programada para obedecer aos comandos de um humano. Uma explanação sobre como essas IA criaram uma consciência tão real quanto a de qualquer um de nós seria, no mínimo, essencial.
Fora isso, se analisarmos as inteligências artificiais como qualquer um dos outros personagens descritos no livro, posso afirmar que foram muito bem construídos. Essa "humanização" das IA's conferiu a história algo de muito divertido e especial, difícil de explicar. Em vários momentos essas máquinas são comparadas à nós, seres que têm a capacidade de evoluir a partir dos erros cometidos. Felicidade Para Humanos é uma história leve, com uma escrita fluida e um ritmo bastante agradável. Não é atoa que a obra já tem seus direitos cinematográficos garantidos pela FOX 20th.
Em suma, acredito que P. Z. Reizin acertou muito em mesclar a tecnologia com o comportamento humano. Mesmo que não haja uma atenção muito grande à parte científica, Felicidade Para Humanos cumpre o que promete: divertir e nos fazer pensar em até que ponto as máquinas são capazes de controlar a nossa vida. O lançamento do livro está previsto para 26 de março desse ano.
Título Original: Happiness For Humans
Autor: P. Z. Reizin
Páginas: 392
Tradução: Ronaldo Sergio de Biasi
Editora: Record
Livro recebido em parceria com a editora
