A palavra que descreve este livro é: surpresa. Surpreendeu-me e tirou-me o tapete debaixo dos pés. Já tinha lido algumas opiniões que diziam que a leitura do livro nos deixava em apneia, desvalorizei. Achei mesmo que era exagero, mas estava redondamente enganada. Senti-me muitas vezes ansiosa e a querer ler mais e que a Adriana fizesse qualquer coisa.
Em relação ao livro, é contada a história de uma família de três pessoas, Alessandro, Adriana e Edoardo, pai, mãe e filho. O casamento deles já não ia bem e há um dia em que Adriana pede o divórcio e é aí que tudo começa. A autora conta todo o processo de divórcio, como foi para a Adriana, a nossa protagonista e de certa forma como foi também para Edoardo. Para mim ler este livro foi duro e eu já li bastantes livros pesados, mas este de certa forma foi pior. Não passei, nem nunca estive próxima de uma situação de divórcio e não tinha ideia do quão mau podia ser. A situação de divórcio não foi boa para o Edoardo, mas o porquê de as coisas terem mudado entre ele e o pai é que me surpreendeu. Dou os parabéns à autora porque até ao final do livro, nada evidenciou o que se veio a descobrir.
Este livro permitiu-me ter uma ideia da demora e como é um processo judicial para atribuir a guarda de uma criança a um dos pais. Os juízes focam-se muito em “repartir o tempo da criança de forma igual pelos pais”, mas na verdade o que estão a fazer é “uma não escolha”, como referiu a autora. Isto porque este impasse muitas vezes faz com que os pais ou as mães desistam da guarda partilhada para não ter de sujeitar os filhos a este stress todo e incerteza. E assim os juízes conseguem não fazer uma escolha e ficarem “livres de culpas”.
Este é um livro que se decidirem ler tem de estar preparados. Primeiro porque é um livro considerável, 696 páginas de livro físico, e depois pelas temáticas que aborda. Para quem já passou por isto, acredito que se reveja em algumas situações e por isso reviva momentos que não são tão agradáveis.
Breve descrição da autora do livro

Tânia Ganho, nasceu em Coimbra e é tradutora e escritora. Estudou e deu aulas de tradução em Coimbra, fez legendagem de filmes e foi também tradutora de informação, antes de se dedicar exclusivamente à literatura. Faz traduções há mais de vinte anos e escreveu o seu primeiro livro em 2005, “A Vida Sem Ti” e em 2024 publicou o seu primeiro livro de memórias “O Meu Pai Voava”.
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