Já pensou se existisse uma forma de fazer duas pessoas criarem um vínculo em tempo record? Pois acredite, existe e foi criada há 20 anos pelo cientista norte-americano Arthur Aron, professor da Universidade de Stony Brook em Nova York. Ele elaborou um experimento que consiste em 36 perguntas que prometem aproximar duas pessoas em menos de uma hora. O estudo foi publicado em 1997, intitulado "A geração experimental de proximidade interpessoal".

Foi o projeto de Aron que inspirou a autora de 36 Perguntas Que Mudaram o Que Sinto Por Você, já que o experimento começou realmente a aproximar casais, mesmo que a ideia inicial fosse apenas criar uma conexão entre as pessoas, não necessariamente com um viés romântico. Então, é a partir dessa premissa que conhecemos nossos protagonistas, Hildy e Paul — ou Betty e Bob, rs.

O mais legal de tudo é que as 36 perguntas utilizadas por Vicki Grant no livro são as mesmas utilizadas por Aron em sua pesquisa. Logo na primeira pergunta fica claro que os personagens são totalmente opostos, e que possivelmente nem se trombariam não fosse esse acaso do destino. Apesar de ser bem clichê — não tô dizendo que é ruim, muito pelo contrário —, a graça toda da coisa está justamente nesse fato.

Imaginem só uma princesinha que sonha em salvar o mundo, super sensível e preocupada versus um bad boy super indiferente que só quer ganhar uma grana pra salvar o mês. Pois é, bem enredo de filme da Sessão da Tarde mesmo e foi isso o que eu mais gostei, porque apesar de parecerem opostos, os personagens têm muito em comum. É o livro perfeito para  curar uma ressaca literária, porque a maior parte da narrativa é composta por diálogos.

A princípio, Hildy tem um jeito meio bobo e falante — sabe aquele tipo de pessoa que começa um assunto e quando a gente pisca ela já está conversando algo totalmente diferente? —, mas amadurece bastante no decorrer da história, principalmente por causa dos dramas familiares inseridos. Paul é muito, muito sério, e sua pose de durão faz todo o sentido quando a gente conhece o passado dele. O melhor é que ele ele não é "durão que virou babaca porque teve uma infância sofrida". Ele só é mais quietinho, na dele, sabe?

Não existe nenhum drama excessivo em 36 Perguntas Que Mudaram o Que Sinto Por Você, muito pelo contrário: o tom é divertido, até nas partes um pouco mais complexas. O romance, por exemplo, é bastante cômico quando a gente para pra pensar. Gente, sabe quando você conhece alguém e fica de papinho no WhatsApp com um sorrisinho bobo? É justamente isso! Impossível não lembrar da adolescência da gente — e de todas as besteiras que a gente fazia.

A obra aborda de forma muito simples, divertida e natural a passagem da adolescência para a vida adulta, principalmente nas partes em que deixa o romancinho um pouco de lado e foca um pouco mais nos dramas familiares de Hildy e na responsabilidade que ela tem que criar. É interessante demais quando ela cai na real e percebe que o umbigo dela não é o centro do Universo, e grande parte disso é por causa de Paul.

Com personagens autênticos e uma obra muito promissora, 36 Perguntas Que Mudaram o Que Sinto Por Você conseguiu me cativar desde as primeiras páginas. É tão levinho e tão bom que só parei de ler quando virei a última página. Super recomendo e não vejo a hora de ler outras obras Vicki Grant — principalmente se ela continuar com essa pegada YA, que é obviamente meu gênero literário preferido.

Título Original: 36 Questions That Changed My Mind About You

Autora: Vicki Grant

Páginas: 252

Tradução: Petê Rissati

Editora: Galera

Livro recebido em parceria com a editora