O Bosque Subterrâneo é o segundo volume da série As Crônicas de Wildwood e eu só descobri o fato quando a obra chegou aqui em casa e vi a capa de O Bosque Selvagem na contracapa do livro. É importante frisar que, apesar de eu não ter tido dificuldades para entender a história em si, senti falta daquela famosa descrição de personagens que só é feita em primeiros volumes de séries. Não chegou a me atrapalhar, mas a verdade é que eu não conheço tão bem os personagens como quem leu o primeiro livro.
Aqui, sabemos que Prue McKeel foi obrigada a entrar na Floresta Impassável para salvar seu irmão mais novo que havia sido sequestrado por estranhos corvos e que, apesar de terem voltado sãos e salvos, Prue não consegue mais ser a mesma. Isso porque participou de várias aventuras no bosque ao lado do seu amigo Curtis, que agora já é um bandido em treinamento. Tudo o que Prue tem agora é uma escola chata para frequentar, pais excessivamente preocupados e uma professora novata que não larga do seu pé.
Apesar de as coisas estarem aparentemente tranquilas para Prue, na Floresta não se fala em outra coisa a não ser o assassino que foi enviado para matar a menina. Aparentemente alguém não quer que Prue tome as rédeas de sua vida novamente, então Curtis e outros moradores da Floresta resolvem levá-la de volta ao bosque, onde, por incrível que pareça, permanecerá em segurança.
Fé. É uma ideia terrivelmente linda, não é? Gosto da poesia disso tudo contanto que não esteja causando nenhum mal a ninguém, não vejo motivo para tirar o véu.
Em paralelo à história de Prue, temos também a visão das irmãs Elsie e Rachel Mehlberg, que foram deixadas provisoriamente em um orfanato pelos pais por motivos de força maior. O grande problema é que o orfanato é tudo, menos um lugar para crianças viverem. Por trás das cortinas há um grande tráfico de trabalho infantil coordenados pelos donos do local. Digamos que Joffrey Unthank tem uma fixação um pouco fora do comum pela Floresta Impenetrável, tanto que ele está disposto a usar as crianças “desobedientes” como cobaias vivas para conseguir adentrar na floresta. Particularmente gostei muito dessa visão da história, ficava bastante ansiosa pelas partes onde Elsie e Rachel apareciam, tamanha a minha vontade de saber o que aconteceria com as duas.
Mesmo não tendo lido o primeiro volume da série, gostei demais desse livro. Fazia muito tempo que não lia uma fantasia tão bacana e, se eu tivesse prestado um pouquinho de atenção, teria procurado ler O Bosque Selvagem antes para aproveitar a história melhor. Colin Meloy sabe muito bem prender o leitor de uma forma leve, conduzindo a história da forma certa e criando vários pontos de clímax só para deixar aquela vontadezinha que todos temos de saber o que vai acontecer com os nossos amados personagens no fim.
Prue e Curtis são personagens tão adoráveis que é impossível não se envolver ou até mesmo se apaixonar por eles. Digo o mesmo para Elsie e Rachel – ok, talvez eu tenha gostado um pouco menos da Rachel por causa da sua antipatia, mas tudo bem. Prue é uma menina muito corajosa para tão pouca idade e Curtis parece um irmão mais velho. Também gostei bastante da forma como o autor amadureceu a amizade entre os dois com o passar das páginas.
O Bosque Subterrâneo é uma aventura e tanto para quem, assim como eu, está atrás de uma boa fantasia. As ilustrações de Carson Ellis são um espetáculo à parte de tão maravilhosas e condizentes com o enredo. A história é cheia de pontos altos e eu adorei acompanhar Prue e Curtis desbravando o bosque que deu nome ao livro e não vejo a hora de me encontrar com esses personagens novamente.
Título Original: Under Wildwood
Autor: Colin Meloy
Páginas: 432
Tradução: Rodrigo Abreu
Editora: Galera Júnior
Livro recebido em parceria com a editora
