Se teve uma coisa que fez super bem para as minhas leituras no final de 2018/início de 2019 foi ter baixado o app do Kindle no meu celular. Volta e meia tenho acesso à alguns livros muito interessantes e me surpreendi muito com Mil Beijos de Garoto, que com certeza merece a nota que ele tem no Skoob. Apesar de tudo o que eu falo sobre romances aqui no blog, eu gosto de determinados clichês e de histórias dramáticas, mesmo com algumas ressalvas.
Aqui, conhecemos a história de amor entre Rune e Poppy, dois jovens que são inseparáveis desde o dia em que se conheceram, aos cinco anos de idade. Dez anos depois, onde os dois estão vivendo um romancinho adolescente de tirar o folego de qualquer um, Rune é obrigado a voltar para sua cidade natal, na Noruega. Nesse meio tempo, Poppy simplesmente para de manter contato. Desaparece. Ninguém sabe onde ela está, nem os amigos mais próximos da menina. Quando Rune retorna, após dois anos, ele não é mais o mesmo: o sumiço de Poppy fez com que algo sombrio despertasse dentro dele.
Mesmo com o retorno do amado, Poppy fez de tudo para mantê-lo afastado, ao mesmo tempo em que não se conformava com a mudança na personalidade de Rune. O garoto, que ela um raio de sol super romântico, se tornou um bad boy, e isso Poppy nunca poderia compreender. Apesar de todos os desencontros, o inevitável acontece: eles voltam a ficar juntos, mas dessa vez algo muito, muito maior está no caminho dos dois.
Bom, eu confesso que mesmo apesar de todas as coisas erradas nesse romance, eu gostei da história. Na verdade, acho que a alegria e a força de vontade de Poppy me fizeram gostar tanto do que li. Veja bem, o romance entre Rune e Poppy é muito abusivo, a dependência que há entre eles não é nada normal. Rune se mostra um cara bastante possessivo também (além de super egoísta) e o fato de Poppy gostar dessa característica me deixou deveras preocupada. Esse foi o ponto que achei bem horrível em Mil Beijos de Garoto.
Tudo bem rir. Tudo bem sorrir. Tudo bem se sentir feliz. Do contrário, qual seria o propósito da vida?
O romance, obviamente, é tão meloso que pode até dar diabetes, mas a quem estou tentando enganar se disser que "noooooooossa, que péssimo"? Acredito que temos que ter consciência para entender que esse tipo de envolvimento pode fazer mal e é muito fora da caixinha, mas querendo ou não, pelo teor dramático do livro e pelo enredo, acaba sendo bonito. Eu, particularmente, me sentiria sufocada pela relação, mas compreendo perfeitamente o porquê de Tillie Cole tê-la colocado da forma como colocou. Gostaria de frisar novamente que eu não apoio de forma alguma esse tipo de romance, mas dadas as condições dos protagonistas, eu entendo. Só isso.
O livro é narrado em primeira pessoa, sob o ponto de vista dos dois protagonistas, o que pra mim sempre é um ponto favorável porque gosto de saber o que cada um está sentindo de verdade. Porém, nessa história, esse tipo de narração não foi muito favorável: tudo gira apenas em torno dos dois, não há espaço para os outros personagens e eu senti muita falta disso. Queria que os amigos aparecessem mais, queria entender os dramas familiares, mas tudo o que eu tive foi o conto de fadas de Poppy e Rune. A sensação que eu tive é que só eles dois importavam, o que consequentemente dá a impressão de que eles próprios não se importam com mais ninguém além deles mesmos.
Por outro lado, como eu disse anteriormente, Poppy é a estrela do livro, que por si só é cheio de lições. Nada abala essa garota, absolutamente nada. Eu me peguei pensando no quanto a gente reclama, às vezes totalmente sem necessidade, enquanto pessoas que dispõe de muito menos — não apenas em relação à bens materiais — levam a vida com muito mais leveza. Poppy também me ensinou sobre a importância de viver um dia de cada vez, aproveitando ao máximo cada acontecimento, por mais simples que seja. Esse aspecto do livro realmente me emocionou bastante.
Acredito que Mil Beijos de Garoto seja a pedida perfeita para quem gosta de romances estilo A Culpa é das Estrelas, cujo propósito é fazer chorar. A escrita da autora é excelente, extremamente fácil e fluida. Tillie Cole tentou fazer um final arrasador, mas eu particularmente achei bastante apelativo pelo simples fato de achar que qualquer pessoa tem o direito de seguir em frente, de experimentar coisas novas. Pensando bem, achei engraçada a minha relação com esse livro, porque admito que gostei e me emocionei bastante, ao mesmo tempo em que questionei todo o desenvolvimento do enredo. No fim, acho que cada um merece dar uma chance e tirar suas próprias conclusões.
Título Original: A Thousand Boy Kisses
Autora: Tillie Cole
Páginas: 400
Tradução: Marina Della Valle
Editora: Outro Planeta
