A minha dificuldade maior não foi enfrentar as 616 páginas desse livro, mas, sim, tentar entender quem é a Pip Tyler. Devidamente, eu parei na página 67 antes de conseguir engatar realmente na leitura. Será que a primeira impressão é a que fica, caro leitor?
Até então, tudo na vida da garota de 23 anos é um mistério. Seu humor com a mãe — que não mora na mesma casa que a menina, que aliás, casa que não tem nenhum aspecto familiar — se altera pela falta de paciência de tentar entender ao questioná-la sobre a vida de seu pai, já que não o conheceu.
É engraçado como a menina tenta se virar para fugir dos tormentos diários. Uma transa programada, por exemplo, com um cara que viria ser o seu refúgio — se o cara não fosse um babaca, é claro! Há momentos que me identifiquei com a garota. O autor Jonathan Franzen traz uma narrativa complexa, mas que preza a liberdade — ou a busca por ela.
A jovem não tem amigas. Ok, ela até tentou puxar um papo aqui ou ali, mas o ar de desprezo que aquelas mulheres transmitiam à garota que não tinha muita paciência para rodeios, a incomodava. Adeus, paciência. Continuemos a sós, solidão. Entende?
Outro ponto interessante é que durante a leitura, você se deparará com dias das semanas em caixa alta. Sim, parece um diário. Mas talvez seja só uma forma de destacar o dia para não cair no esquecimento. E enlouquecer. Acho que a tristeza da personagem foi tão difícil para mim que coloco aí a culpa de eu ter demorado tanto para ler Pureza.
Há transformações também. Mas não irei descrevê-las, caro leitor. Não quero que você pense que transformei esta resenha em uma fábula. Até por que a primeira impressão nem sempre é a que fica. Boa leitura!
Título Original: Purity
Autor: Jonathan Franzen
Páginas: 616
Tradução: Jorio Dauster
Editora: Companhia das Letras
Livro recebido em parceria com a editora
