ENTRELINHAS // FOI SEM QUERER QUE TE QUIS
literatura contemporânea portuguesa, crítica de romance sentimental, processo de escrita criativa, análise de engajamento em redes sociais
Fotografia da minha autoria «O livro que te dá a receita para seres feliz no amor» O traço curioso que se inquieta no lado esquerdo do meu peito impulsiona-me a seguir caminhos desconhecidos, principalmente, se a viagem for literária. E nunca deixa de ser interessante o quanto há nomes que surgem como lembranças constantes, desafiando-nos a desvendá-los através das suas palavras. Em rede, é simples perdermo-nos pelo mediatismo de certas citações, fomentando a vontade de mergulhar a fundo na obra do seu autor. Porque soa-nos a uma aposta de sucesso. Mas nem sempre o todo corrobora a qualidade dos fragmentos. Foi Sem Querer Que Te Quis marcou a minha estreia na escrita de Raul Minh'alma. E, confesso, não correspondeu às expectativas que tracei. Fui-me cruzando com passagens de outros livros, consolidando o desejo de me aventurar numa narrativa completa, até pelas temáticas e pelas lições de vida tão coesas e importantes. No entanto, entristeceu-me um pouco constatar que aquilo que resultava enquanto apontamentos soltos não teve força suficiente para se reproduzir numa história arrebatadora. Única. E memorável. Embora apresente detalhes e sequências interessantes, incentivando-nos a refletir sobre a nossa postura, os nossos comportamentos e o poder dos sentimentos, não fui capaz de me identificar com as personagens e com a energia do enredo. A premissa é emotiva, uma vez que nos relembra a imprevisibilidade da nossa jornada. A fugacidade da existência humana. E o facto de ser crucial não deixarmos algo por dizer, procurando sempre fazê-lo com sensibilidade e dignidade. Apesar disso, senti o desenvolvimento forçado e, em determinados momentos, exagerado. Além do mais, tornou-se previsível e repetitivo, transmitindo a sensação de que o foco passou a ser a presença de lugares comuns, com frases que ficam presas no coração, e não tanto as relações interpessoais, carecendo desse vínculo que nos aproxima dos protagonistas - e eu até sou apreciadora de uma boa trivialidade. O final tem a capacidade de quebrar um pouco essa tendência. Porém, revelou-se apressado. E, até, desconexo. Foi Sem Querer Que Te Quis alerta-nos para o erro das primeiras impressões e para a necessidade de fazermos as pazes com o passado. E, atenção, não é uma leitura penosa. Contudo, tendo em conta a mensagem subliminar e a sua promessa subtil, esperava um impacto maior. Deixo-vos, agora, com algumas citações: «Uma coisa é perdoar uma pessoa, outra é aceitá-la de volta»; «Há coisas que não foram feitas para serem ditas, porque se fossem ditas não diziam tanto»; «Podíamos ser muito felizes, se a opinião dos teus olhos não pesasse mais do que a do teu coração»; «A vida não te dá ninguém. Ela apenas te empresta pessoas que são escolhidas a dedo para te ensinar alguma coisa. A bem ou a mal»; «Tão estranho. Hoje somos apenas dois desconhecidos que se conhecem profundamente». Nota: O blogue é afiliado da Wook e da Bertrand. Ao adquirirem o[s] artigo[s] através dos links disponibilizados estão a contribuir para o seu crescimento literário - e não só. Obrigada ♥
Texto originalmente publicado em Entre Margens
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