
(imagem retirada daqui)
Uma amiga desafiou-me para participar na leitura partilhada dos Capitães da Areia, de Jorge Amado. Apesar de ter lido o livro há muito tempo aceitei participar. Quando leio determinados livros sinto falta de ter alguém com quem discutir o livro, partilhar opiniões e achei que o desafio poderia ser interessante.
Capitães da Areia é sobre um grupo de crianças órfãs, abandonadas, entre os 8 e os 16 anos, que vivem nas ruas da Bahia, nos anos 30, e que praticam pequenos crimes para poderem sobreviver.
O livro tem uma leitura fluida, mas é de uma enorme sensibilidade e profundidade. É um livro intenso com personagens marcantes: o Sem-Pernas; o Professor; o padre José Pedro; o Pedro Bala…e a menina estrela.
É um livro que nos faz refletir sobre os conceitos do bem e do mal, do certo e do errado e em como essa fronteira é muitas vezes ténue e depende muito das circunstâncias em que estamos inseridos. No entanto, na luta diária pela subsistência, sobressaem valores como a lealdade, o espírito de sacrifício para garantir a segurança e a sobrevivência do grupo, mesmo que implique suportar a tortura ou partir para um destino, em que a morte é quase certa.
Escrever sobre a história destes meninos homens é difícil. O livro é sobre crianças obrigadas a crescer rapidamente, numa total ausência de afeto e uma vida familiar estruturada, mas que continuam a ser crianças e só precisam de alguém que cuide delas com amor e carinho.
Fico muito contente de ter aceitado o desafio da leitura partilhada e foi muito bom reler esta história.
Vale a pena viajar até à Bahia dos anos 30, pela mão do Jorge Amado e conhecermos os Capitães da Areia.
Boas leituras!