02

Jun21

Maria do Rosário Pedreira

Gosto muito de um programa da TSF da jornalista Teresa Dias Mendes chamado Uma Questão de ADN. Trata-se de uma conversa com duas ou mais pessoas da mesma família. Lembro-me de muitas das emissões que ouvi ao fim da tarde, quando ia de carro para casa e o programa era a essa hora, entre elas, por exemplo, uma conversa muito boa entre três primos direitos (a cantora Capicua, o ministro João Pedro Matos Fernandes e o actor Pepê Rapazote). Sempre pensei que, se um dia me convidassem, queria ir com o meu irmão Jorge, e foi isso que aconteceu ontem, em que fomos gravar o programa (que passará na próxima quarta às 13h). Este meu irmão é o mais próximo, cerca de um ano e meio mais velho, e logicamente é aquele ao lado de quem vivi a infância e a adolescência (temos amigos comuns), aquele com quem estudei à noite quando andava na faculdade (andávamos na mesma instituição, embora em cursos diferentes), uma das pessoas que mais coisas me ensinaram e uma das pessoas de quem mais gosto. Ele também escreve poesia mas acabou por nunca publicar. Falámos disso no programa. Se ele se tivesse estreado antes de mim, ter-me-ia eu atrevido a dar o passo?... E a crítica, se ambos tivéssemos publicado, conseguiria resistir a não nos comparar? Ao pensar nisto, faço-me várias perguntas: Que terá sentido Gonçalo M. Tavares quando José Gardezabal começou a escrever e publicar livros que (ouvi dizer, não li) são parecidos com os seus? As irmãs Brontë teriam ciúmes umas das outras? E Gerard e Lawrence Durrell? Mais do que os irmãos Grimm, imagino... Mário de Carvalho e as duas filhas (Ana Margarida de Carvalho e Rita Taborda Duarte) serão um trio pacífico? Alguém se lembra de mais irmãos escritores?

P. S. Na sexta não há post, vou aproveitar o feriado para tirar uns dias e acabar um texto. Até para a semana.