Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Após ter visto Abraços Partidos fiquei com vontade de rever Tudo Sobre minha Mãe, de Almodóvar, um dos filmes que mais me impressionou positivamente até hoje. Revi-o ontem e esse encanto se manteve (ou se reforçou). Para mim, esse é o exemplo de um película perfeita, dentro do que se propõe: contar uma história tocante, habitada por seres humanos (por mulheres, em especial), que sofrem e riem, que enfrentam dificuldades a cada dia e que conseguem (todos nós não conseguimos?) seguir em frente.

A suspensão da descrença funciona perfeitamente nesse filme por conta do envolvimento emocional de quem vê. Afinal, são muitas as coincidências no filme, desde aquelas envolvendo Um bonde chamado desejo, até outras envolvendo a paternidade de um determinado travesti ou mesmo coisas menores, como encontrar um determinado cachorro em uma determinada praça. Mas que importa isso? É só poesia. Belíssimas metáforas. O diretor lembrando-nos o tempo todo de que se trata de um filme e que ele nos mantém o tempo todo sob sua rédea. A história vagueia ao sabor de suas vontades, não as nossas. Mas é que ele tem consciência de que o que ele quer é melhor e pronto.

Voltando à película, o mote do filme é bastante simples: No dia do aniversário de 17 anos do jovem Estéban, que sonha em ser escritor, ele faz um pedido à sua mãe, Manuela: revelar a verdade sobre seu pai, de quem ele não sabe nada. Nesse mesmo dia, após ver a montagem teatral de Um bonde chamado desejo, ele tenta conseguir um autógrafo da atriz principal da peça, mas um acidente impede que seu plano se realize. Manuela decide então viajar de Madri até Barcelona, para reencontrar o pai de seu filho. É claro que nesta viagem ela se reencontrará com seu passado e terá a oportunidade de conhecer outras histórias e outras vidas…

Um de meus filmes favoritos, cada vez mais…