Boa Garota Nunca Mais é o desfecho da trilogia que conta as aventuras de Pippa Fitz-Amobi como investigadora. Disto isto, aviso que muito provavelmente terão spoilers dos dois primeiros volumes, Manual de Assassinato para Boas GarotasBoa Garota, Segredo Mortal, nessa resenha. Continue a leitura por sua conta e risco!

Em Manual de Assassinato temos uma Pip bastante imatura e impulsiva, mas que de alguma forma consegue solucionar o caso do assassinato de Andie Bell. Em minha opinião, Holly Jackson já consolidou sua escrita logo nesse primeiro livro, porque conseguiu construir, através de um enredo básico, uma trama bastante memorável. Boa Garota, Segredo Mortal, por sua vez, adquire uma aura um pouco mais sombria, porque além do desaparecimento de um amigo muito querido, Pip acaba lidando também com os muitos segredos obscuros que Little Kilton guarda. Se por um lado a protagonista demonstra amadurecimento, por outro o desfecho é ligeiramente mais fraco. A questão é que nada do que eu li nos primeiros volumes me prepararia para o que encontrei em Boa Garota Nunca Mais.

Dessa vez, o inimigo de Pip é outro. Pior ainda, a garota está diretamente envolvida no que vai acontecer, uma vez que está sendo perseguida por um stalker que pouquíssimo tempo depois descobrimos ser o "Assassino da Silver Tape", ou AST. Apesar de demorar um pouco para chegar nesse ponto em específico, não considero essa informação um spoiler, até porque toda a diagramação do livro deixa isso bem claro. A minha primeira questão com esse livro está justamente nessa demora: leva uma infinidade de tempo até que as coisas comecem a acontecer de fato... Mas depois que acontecem e a gente percebe que ainda falta uns 2/3 do livro, é impossível parar de ler. 

Basicamente, Boa Garota Nunca Mais é dividido em duas partes: a primeira leva ao que eu considero o grande acontecimento e a segunda as consequências dele. Pippa acaba se envolvendo num problema inimaginável e ela tem que se safar dele. É tão angustiante que dá aquelas aceleradas no coração da gente, porque é óbvio que queremos que o plano dê certo, ao mesmo tempo em que pensamos nas mil e uma coisas que podem dar errado. Arrisco dizer que muitas situações são até bem bizarras, então tem que ter a cabeça bem aberta para ler e acreditar que aquelas cenas podem ocorrer de fato. É um grande paradoxo, porque eu tinha consciência de que muita coisa fora da caixinha estava acontecendo, mas ainda assim eu acreditei, eu confiei. É simplesmente Holly Jackson provando mais uma vez seu poder na escrita. 

Por mais que seja bem mais eletrizante que Manual de Assassinato Boa Garota, Segredo Mortal, para mim o ponto alto desse desfecho é descobrirmos que tudo, absolutamente tudo, está conectado com o caso Andie Bell de alguma forma. A menina mesmo depois de morta, mesmo depois de Pip ter descoberto o que aconteceu com ela de fato, assombra a cidadezinha de um jeito que nem sei explicar. Isso é incrível, porque mostra que Holly Jackson realmente pensou em tudo, nada é mencionado à toa. Fique atento aos detalhes, isso é o máximo que eu posso dizer. 

Uma das coisas mais dolorosas desse livro para mim, além do final, é claro, foi perceber que o titúlo resume muito bem a obra: se Pip já precisaria de uma terapia intensiva após o que aconteceu no primeiro e segundo volumes, depois desse aqui então... De fato, ela nunca mais será a mesma. Não se faz o que ela fez e vive normalmente, disso eu tenho certeza. 

Minha outra crítica quanto ao livro segue nos moldes do que eu disse em Boa Garota, Segredo Mortal: acho inconcebível Pip e Ravi serem adolescentes de 18 anos e não darem um mísero beijo na história inteira. Aí você pode me dizer: "mas Ana, o tanto de trem que estava acontecendo, eles nem iam ficar pensando nisso" e eu vou responder que iam sim, justamente por serem jovens com hormônios a flor da pele. Era mais fácil ter deixado os personagens como melhores amigos então, uai, já que a interação entre eles fica por isso mesmo. 

Apesar de ter gostado bastante, acho que o primeiro ainda é meu preferido. O enredo é um pouco mais leve e tem toda aquela magia de estarmos conhecendo os personagens, a atmosfera. Sem contar que Boa Garota Nunca Mais tem inúmeros gatilhos, inclusive cenas muito gráficas de assassinato — interessante seria acrescentar um aviso no início do livro... Eu fiquei bem mexida, mesmo sendo acostumada com esse tipo de cena por acompanhar várias séries criminais. Mesmo assim, só posso dizer que Holly Jackson fechou sua trilogia com chave de ouro. 

(Antes de terminar esse texto, só queria deixar claro que odiarei Max Hastings durante toda minha existência. Agora sim posso me despedir. Beijo, tchau).

Título Original: As Good as Dead ✦ Autora: Holly Jackson

Páginas: 531 ✦ Tradução: Karoline Melo ✦ Editora: Intrínseca

Livro recebido em parceria com a editora