Muito provavelmente vocês abriram esse post pensando: "meu Deus do céu, mas que c4r4lh0 é esse que a Ana tá lendo livro de autoajuda??" E sim, vocês me conhecem muito bem, porque não é muito comum eu ler esse gênero. Nada contra, é claro, só não tenho muita paciência pras lições de moral e a positividade tóxica, e está tudo bem quem gosta. O que vocês não sabem é que, apesar do título ser O Melhor Livro de Autoajuda do Mundo, a obra de Gabriel Paciornik é, na verdade, uma ficção muito divertida e sarcástica. 

A história acompanha o personagem Geraldo Pereira durante seu processo criativo para a escrita de um livro de autoajuda, cujo título é, obviamente, O Melhor Livro de Autoajuda do Mundo. Em dado momento, o protagonista explica o porquê de ter escolhido esse título, mas acredito eu que a grande sacada foi do próprio Gabriel Paciornik ao mantê-lo no nome do romance, uma vez que, como ele mesmo pontua, apela para a provocação, o que tem tudo a ver com o enredo. 

Geraldo é um homem de uns trinta e poucos anos, mas ranzinza e azedo igualzinho um idoso de setenta. Não tem paciência com nada, odeia sair de casa e prefere sua própria companhia pelo simples fato de não querer lidar com pessoas — claramente eu, num é à toa que tô sempre falando que não gosto de gente, rs. A grande questão é que até o mais mal-humorado dos homens precisa de dinheiro para sobreviver. Quando Aloísio, seu quase-amigo e agente, aparece com a ideia de escrever um livro de autoajuda, Geraldo aceita a proposta, mesmo sabendo que tem de tudo para dar errado. Um cara como ele escrever uma coisa para ajudar outras pessoas? Confusão na certa, não é mesmo? 

Boas ideias ficam nos observando, de longe, checando se estamos prontos para anotá-las. Se percebem que estamos com as mãos molhadas ou dirigindo, aparecem, rebolam na nossa frente e mostram a língua. Daí vão embora, sem nunca mais aparecer de novo — p. 77

O Melhor Livro de Autoajuda do Mundo é, provavelmente, um dos livros mais originais que li até hoje. Acho que isso de dá justamente pela controvésia do homem pessimista, que não acredita em nada e nem em si mesmo, escrevendo um livro desse gênero. Para vocês terem ideia, até as questões filosóficas são engraçadas! Até porque, ao meu ver, é uma obra que usa do humor ácido para fazer uma crítica ao gênero autoajuda, que vende igual água porque tenta a todo custo fornecer uma solução rápida para problemas que, na maior parte das vezes, não têm solução ou são simplesmente indícios de situações muito maiores e complexas que só podem ser resolvidas com ajuda profissional. 

Outra coisa que gostei bastante nessa história é que, muitas vezes, ela acaba sendo um pouco fantasiosa. Tem um personagem, que é muito importante, aliás, que é o diabinho engarrafado que ajuda o Geraldo a escrever o livro. Apesar de ser uma figura mitológica, no livro ele existe de verdade. Eu simplesmente adorei essa questão da representação do "diabinho", que nada mais é do que nossa própria consciência cochichando as coisas no ouvido da gente, rs. Mas cá para nós, quisera eu ter um desses pra me ajudar com minha dissertação de mestrado, ai, ai...

Além de Azazel, o diabinho, adorei os outros personagens secundários. São bem construídos e introduzidos em momentos oportunos e de forma bastante natural, isto é, não existem só para tapar um buraco, para ter um diálogo ou uma solução conveniente para as situações que surgem no decorrer das páginas. 

O Melhor Livro de Autoajuda do Mundo é bem curtinho e, por ter uma narrativa fluida, dá pra ler em um dia. Só demorei um pouco mais porque estava dividindo a leitura com outros quatro livros. Além disso, a diagramação está impecável, incluindo ilustrações muito bacanas, que super conversam com a história, no início de cada capítulo. Indico demais para quem está procurando algo leve e engraçado para mesclar com uma leitura mais densa — e que definitivamente não tenha problema com palavrões, hehehehe!

Título Original: O Melhor Livro de Autoajuda do Mundo ✦ Autor: Gabriel Paciornik

Páginas: 208 ✦ Editora: Labrador

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