Título Original: Persepolis 1, 2, 3, 4
Autora: Marjane Satrapi
Páginas: 352
Tradução: Paulo Werneck
Editora: Quadrinhos na Cia
Livro recebido em parceria com a editora
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Não vou mentir para vocês. Solicitei esse livro para a Companhia das Letras unicamente porque ele estava no clube do livro da Emma Watson do mês passado. E sim, se tem uma coisa que eu confio é no gosto literário da Emma Watson. O que eu não sabia é que, além de gostar muito do quadrinho, ele ia mexer tanto comigo.

Persépolis é uma história em quadrinhos autobiográfica onde Marjane Satrapi, que é iraniana, conta sua história no país onde nasceu, em meio a guerra. Majane viu sua vida virar de pernas pro ar quando, em 1979, uma revolução é iniciada e, como consequência, transforma o Irã, um país monárquico e moderno em uma república islâmica extremamente conservadora. Majane  tinha apenas 10 anos e foi obrigada a usar véu,  se separar dos amigos do sexo oposto e várias outras coisas que eram consideradas normais em sua família moderna. 

Apesar da sua maior parte se tratar de política e religião, o que poderia tornar a leitura densa e maçanete, a autora conta a história de uma forma leve e até engraçada. Convenhamos que ler uma história sobre a vida no Irã, do ponto de vista de uma iraniana, levando em consideração todo o medo dos bombardeios, da polícia e do extremismo, deveria ser no mínimo triste. Sim, não vou dizer que não me emocionei, não fiquei abismada com os absurdos, mas foi muito mais fácil com o humor. 

Na vida você vai encontrar muita gente idiota. Se te ferirem, pensa que é a imbecilidade deles que os leva a fazer o mal. Assim você vai evitar responder às maldades deles. Porque não tem nada pior no mundo do que a amargura e a vingança. Seja sempre digna e fiel a você mesma.

As coisas se complicam tanto para  Majane  que ela é obrigada a se refugiar na Áustria, tanto para se refugiar da guerra no Irã quanto para viver sua liberdade, assim como seus pais a criaram. Porém, me desconectei completamente com a personagem nessa etapa. Marjane perdeu toda a sua essência: era engajada, politizada, corajosa e curiosa enquanto criança. Parece que a adolescência e o fato de morar um país estrangeiro tirou todas essas qualidades dela. Acabei aceitando os fatos por conta do preconceito que sofria, do perrengue que passava e principalmente por causa das suas crises de identidade, que perduraram até a vida adulta, quanto retornou à sua terra natal. 

Quando achei que as coisas iam começar a melhorar para ela, pá, pioraram. O fato de ter passado tanto tempo longe da sua cultura fez com que ela se sentisse deslocada, tanto que até tentou resolver isso de uma forma não muito legal. Foi depois disso que resolveu buscar sua verdadeira essência, já com 24 anos de idade.

Persépolis é, sem sombra de dúvidas, um obra sensacional. Rica em informações, principalmente para nós que vivemos, tecnicamente, em um país livre. Além disso, os diversos fatos histórias esclarecem até os leigos como eu. Esse é aquele tipo e livro que deveria ser incluído nas leituras obrigatórias para todo leitor.