Este livro foi um murro no estômago. Sou do tempo do iCarly e nunca pensei no que poderia ser a vida dos atores quando não estavam a fazer o programa, se calhar pela idade que tinha quando assistia este programa. 

“Ainda bem que a minha mãe morreu” é escrito na primeira pessoa, Jennette conta o que se passou, desde pequena até quase à atualidade. Explica tudo o que a mãe, de certa forma, a obrigou a fazer, mas que ela achava que fazia porque queria e porque fazia a mãe feliz. As coisas que era obrigada a fazer, nomeadamente, restrição de calorias, por volta dos 11 anos, limitaram o seu crescimento e desenvolvimento e depois levaram-na à anorexia e posteriormente à bulimia. Problemas estes, que só muito depois compreendeu que tinha e que precisava de resolver. 

Apenas após a morte da mãe é que Jennette, com ajuda especializada, conseguiu perceber a repercussão do que a mãe a obrigou a fazer e começou a trabalhar para que a sua vida voltasse à normalidade. Só nessa altura é que compreendeu tudo o que se passou, e que pode finalmente viver em liberdade. Descobriu também que viveu com uma mentira ao longo dos anos. A pessoa a quem chamava pai e que ela tanto queria que a amasse, na verdade não era o seu pai. Nunca soube porque a mãe nunca lhe contou e não percebeu o verdadeiro motivo de se terem separado após o nascimento dela e dos irmãos, foi um segredo que levou consigo.  

Houveram alguns pontos ao longo da história que me marcaram um pouco, logo no início a mãe está a ameaçar o pai com uma faca e dois dos seus filhos continuam a jogar como se nada fosse, como se aquela situação não estivesse a acontecer na divisão ao lado a cena termina com: “Alguém ganha a nova partida de 007.” 

Outra coisa que me questionei a ler a história: como é que a mãe conseguia tudo da filha, mesmo quando já tendo esta uma certa idade, jogo psicológico:

“- Não, não quero mesmo. Não gosto. Deixa-me pouco à vontade. …

– Não podes desistir! – soluça ela – Esta era a nossa oportunidade! esta era a nooooooosssaa oportunidaaaade! …

A histeria dela assusta-me e tem de ser acudida. …

– Esquece – digo muito alto, para que a Mãe ouça entre os soluços. O choro para imediatamente, exceto uma fungadelazinha excedente, mas, assim que essa fungadela esmorece, o silêncio completo. Não sou a única que sabe chorar a pedido”

De todos os que moram consigo acho que única pessoa que olha e percebe o que se passa é o avô, que um dia lhe diz:

“Eu só acho que mereces ser uma cirança.”

refere isto quando a neta ainda muito pequena não brinca, nem aporveita a sua infância para decorar as falas para uma nova audição. 

E  o ponto em que se percebe que o que a Jennette pensa está mesmo distorcido da realidade:

“É uma honra que a Mãe se rale tanto comigo a ponto de uma coisa como eu ter a minha própria cor favorita a deixar arrasada. É amor de verdade.”

Jennette admite e compreende que nunca vai conseguir resolver tudo o que passou a 100%, percebe e aceita que vão haver dias melhores e piores, mas que agora faz o que quer, não continua como atriz e pode decidir o que fazer da sua vida e cuidar da sua saúde. 

Breve descrição da autora do livro

Jennette McCurdy

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Jennette McCurdy nasceu na Califórnia, com os pais, três irmãos e os seus avós maternos. É uma ex-atriz, escritora, cantora, diretora e compositora americana Os seus papéis mais importantes e que a fizeram se tão conhecida foram Sam Puckett (iCarly) e a sua personagem no Sam & Cat. 

Em 2022 lançou o livro “Ainda bem que a minha mãe morreu” em que conta toda a sua história, considerado número um no The New York Times best seller.

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