Ursula K. Le Guin é, provavelmente, uma das grandes percursoras do gênero fantasia. O Feiticeiro de Terramar, bem como os outros quatro volumes pertencentes ao Ciclo Terramar são muito bem conhecidos ao redor do mundo desde 1968, quando o primeiro livro foi publicado. Ursula não é apenas uma escritora de sucesso, ela é uma referência para muito dos nossos escritores contemporâneos. 

Neste primeiro livro da série, conhecemos o jovem Ged — conhecido antes como Duny e chamado de Gavião pelos amigos —, que ficou órfão de mãe muito cedo e foi criado pelo pai. Isso conferiu ao garoto características um pouco peculiares, já que não recebia muito carinho e amor. Ged nasceu mago e sempre mostrou poderes de aptidões para magia, e começou a receber ensinamentos mágicos desde cedo por sua tia. Com esse seu dom, Ged ajudou sua ilha a enfrentar o terrível exército de Korg, o que atraiu a atenção de Ogion, o Mago. A partir daí, Ged termina sua iniciação na magia e enfrenta muitos desafios.

Apesar de Ged ter o coração bom, a medida que vai ganhando poder, começa a ser dominado pela arrogância, vaidade e orgulho, além de sentir muito inveja do seu rival, Jaspe. Cego, acaba executando um feitiço proibido durante uma competição, que faz com que uma Sombra o persiga por boa parte da sua vida. Essa Sombra tem como objetivo devorar o seu invocador e, com certeza, acabar com ela é o maior desafio de Ged. 

Aquele que abre mão do próprio poder, algumas vezes, se enche de um poder maior ainda.

Durante a leitura, é impossível não lembrar de outros grandes sucessos como Harry Potter, que vai descobrindo seus poderes a medida que vai crescendo na trama, e até mesmo O Senhor dos Anéis, já que em O Feiticeiro de Terramar também é possível observar muita magia, criaturas místicas, uma jornada a seguir e, é claro, um inimigo muito sombrio. Só que diferente de outros livros do gênero, que os personagens principais possuem várias pessoas os perseguindo, o maior inimigo de Ged é o seu próprio orgulho. O detalhe é que nós já começamos a ler sabendo que Ged se tornará o maior feiticeiro de Terramar, só nos resta saber como isso vai acontecer, quais foram os seus feitos para alcançar esse título. 

O livro é bem curto, então possui grandes saltos na história, ou seja, os anos passam muito rapidamente no decorrer dos capítulos, mas nada que torne a trama corrida demais. A escrita de Le Guin, apesar de ser bastante detalhada, não é cansativa — mesmo não tendo muitos diálogos — e complicada de entender. A única coisa que me incomodou um bocado foi o tamanho extenso demais dos capítulos. Acho que nenhum leitor é muito fã de capítulos compridos demais, né...

Já tinha ouvido falar das obras de Le Guin, mas nunca havia lido nada. O fato é que me surpreendi bastante. Me encantei com sua escrita —  que não tem nada de complicada, diferente dos outros clássicos que conheço —, com seus personagens e com a forma que direcionou a história. O Feiticeiro de Terramar, sem sombra de dúvidas, é leitura obrigatória para todos os fãs de uma boa e velha fantasia.

Título Original: A Wizard of Earthsea

Autora: Ursula K. Le Guin

Páginas: 176

Tradução: Ana Resende

Editora: Arqueiro

Livro recebido em parceria com a editora 
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