Por José Reinaldo do Nascimento Filho
Ultimamente quando penso em assistir a algum filme – no cinema ou em casa (ou do cinema em casa) – me questiono quanto a justificativa de sua feitoria; em outras palavras: o filme mereceu, realmente, ter sido feito?
Os recentes filmes assistidos por esse que vos escreve foram: o incrível, Mary e Max; o horrível, Fúria de Titãns; e o grandioso, Crepúsculo dos Deuses. O mais recente – agora no cinema – Os Homens Que não Amavam as Mulheres. Se vocês prestaram um pouco de atenção, faltou o adjetivo qualitativo do movie. Por que isso acontece? (antes um pouco do filme)
Primeiramente é preciso saber que o filme foi baseado na primeira parte da série Millenium, do sueco, Stieg Larsson. O volume 1, intitulado, Män som hatar kvinnor, fez um enorme sucesso – tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos –, levando à produção do longa-metragem, dirigido por Niels Arden Oplev.
Li algumas críticas em sites “especializados” e, lendo alguns comentários, descobri que o diretor seguiu à risca o texto original – para muitos, um ponto positivo -, dando ao filme um olhar tanto pessoal do diretor, quanto fiel a idéia do escrito (isso é bom?).
Sobre os personagens: O primeiro, Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), um repórter da fictícia revista Millenium que acaba de ser condenado por difamação contra um poderoso magnata sueco. Antes de cumprir a pena, ele é chamado para investigar um caso de desaparecimento, cujo tempo perdura por quase 40 anos. Enquanto isso, Lisbeth Salander (Noomi Rapace) – numa mistura de Pity e Marilyn Manson -, uma jovem hacker de passado nebuloso, é contratada para segui-lo e descobrir mais sobre ele.
Mikael viaja para o norte da Suécia, em direção de uma pequena vila, onde mora Henrik Vanger (Sven-Bertil Taube), ex-chefe da “empresa familiar”, VANGER. O objeto da investigação é Harriet, que sumiu quando tinha apenas 16 anos. Desde pequena, a menina – sua sobrinha – era a preferida de Henrik, e no aniversário do tio, presenteava-o com uma folha seca prensada. Depois que ela sumiu, ele continua recebendo o presente, o que o fez suspeitar dos membros de sua própria família, pessoas gananciosas e descompensadas (nesse momento eu me perguntei: why?! Why?! Por que dessa conclusão?).
Mikael está “parado”, “empacado”, no entanto recebe a ajuda à distância de Lisbeth, que em pouco tempo passa a acompanhá-lo em tempo integral – decifrando os enigmas mais difíceis. Os conhecimentos da garota e a experiência investigativa do repórter começam a dar resultados e gerar incômodo. E… não cabe à mim contar toda a história do filme, mas sim responder se valeu a pena sua feitoria. O que responder? Sim. Vale. Mas não passa disso. Não passa de mais um filme de investigação com pontos positivos e negativos, como qualquer outro (não qualquer outro). Fico imaginando se a leitura do livro não seja mais interessante do que passar longas duas horas e meia, frente à tela do cinema ou televisão, assistindo a um longa que não emociona nem um pouquinho (o estupro é chocante, mas…)
E o que dizer daquele desfecho?