Olivia Middleton é uma jovem nova-iorquina que sempre viveu muito bem. Sua família é dona de uma agência de publicidade, então ela nunca teve muito com o que se preocupar. Os pais de Olivia são amigos dos St. Claire e dos Price há mais de vinte anos, então ela, Michael e Ethan sempre foram melhores amigos. Eles passavam mais feriados juntos do que na casa dos avós.
Os três eram inseparáveis e Ethan e Olivia chegaram até mesmo a serem namorados. Mas, após um erro da menina, a amizade deles se desfaz, e agora ela vai largar tudo o que tem em Nova Iorque, a faculdade, a vida boa e os amigos, para passar três meses em Bar Harbor, no Maine, ajudando um veterano de guerra para se redimir consigo mesma.
Paul Langdon só tem vinte e quatro anos, mas vive com a amargura de um velho ranzinza. Após voltar “inválido” da guerra do Afeganistão, ele se escondeu em uma mansão em Bar Harbor, Maine e, apesar das inúmeras tentativas de seu pai em ajudá-lo a recuperar pelo menos parte do que ele era antes, o garoto sempre trata as cuidadoras enviadas com grosseria até que elas vão embora.
Quando Olivia chega, Paul tem uma grande surpresa. Nenhuma das mulheres enviadas por seu pai antes tinham menos de trinta anos. A nova cuidadora o deixa ainda mais irritado, pois ela lembra tudo o que ele teve um dia, mas nunca mais poderá ter — pelo menos é o que ele pensa. Além disso, desta vez ele não pode simplesmente assustá-la, pois seu pai lhe deu um ultimato e ele terá que suportar a garota por pelo menos três meses.
Dizer que meu pai me encurralou é pouco. O compromisso de me comportar por três meses já era bastante ruim quando pensei que estaria lidando com uma velhota excêntrica, mas isso? Pedir que eu passe três meses na companhia dessa loira maravilhosa?
Não posso deixar de dizer que fiquei bastante incomodada com algumas atitudes extremamente machistas de Paul, mas também estaria mentindo se dissesse que isso me incomodou ao ponto de não conseguir mais ler. Sei que essas ações fazem parte da personalidade do personagem e da imagem que a autora quer passar para os leitores, mas algumas passagens me incomodaram bastante.
Os capítulos são narrados em primeira pessoa, alternando entre Olivia e Paul. Como a própria sinopse já denuncia, a obra lembra muito a história A Bela e a Fera, de onde podemos também prever muito do que pode acontecer. Mas o objetivo do enredo, pelo meu ponto de vista, não é trazer uma história inédita com um final imprevisível. Em Pedaços nos proporciona momentos de descontração, nos tira um pouco da nossa rotina para simplesmente se deixar levar por uma história familiar com um toque moderno.
É isso que eu deveria estar fazendo mesmo. Sou paga para fazer companhia a ele, afinal de contas. A parte assustadora é que eu acho que ia procurá-lo mesmo que os cheques não caíssem. Acho que gosto dele. Como pessoa.
Os detalhes nos transportam para o local, de forma que conseguimos imaginar exatamente como cada coisa deve ser. As personalidades de Olivia e Paul são muito bem definidas e, por vezes ficamos muito ansiosos para que eles sejam mais sinceros um com o outro, principalmente no começo. A relação entre os dois evolui de forma natural e nada é muito forçado, um incentiva o outro a ser melhor e aos poucos eles vão se conhecendo.
O primeiro livro da trilogia Recomeços publicado no Brasil, Em Pedaços é uma leitura leve, ideal para passar o tempo e se distrair um pouco. Os capítulos fluem de forma natural e a autora consegue nos envolver na trama sem muito esforço e sem nos cansar.
Título Original: Broken
Autor: Lauren Layne
Páginas: 248
Tradução: Lígia Azevedo
Editora: Paralela
Livro recebido em parceria com a editora