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Não conheço a Rita para além das redes sociais e mesmo aí não sei se interagimos muitas vezes mas quando percebi que ela estava a publicar um livro de terror resolvi comprá-lo. Até vos podia dizer que é giro apoiar novos escritores (que é) mas a principal razão pela qual o comprei foi por andar com vontade de explorar mais este género literário do qual li pouco (Shirley Jackson e Michael McDowell apenas). Comprei o livro sem saber quase nada sobre ele. Sabia que era um livro de contos mas não fazia ideia, por exemplo, que o livro era composto por textos escritos em 2023 no âmbito de um desafio de leitura organizado pela própria Rita. Pelo que percebi, em Outubro de 2023 a autora organizou o Spookober, desafiando todos a escreverem um texto por dia com base numa determinada palavra. Este livro é uma compilação dos textos da própria escritora.

Li-o numa manhã das minhas férias. Estava calor lá fora, a casa estava em silêncio para lá dos sons do campo que me chegavam. Foi uma experiência de leitura interessante também por isso. A ausência de pessoas ou barulho é o ideal para entrar na atmosfera, no mood, de um livro de terror.

Não vou falar muito sobre os textos (não quero estragar a vossa experiência de leitura) mas posso dizer-vos que alguns foram surpreendentes e todos tinham aquele toque que nos fazia estremecer. Gostei muito do Passeio na Baixa, logo no dia 3. Acho que foi o texto que me fez entrar no livro. O som do Trovão é daqueles que nos atingem em cheio. Talvez seja o melhor de todos os textos. Dei uma gargalhada com o O comandante supremo, basta conhecer-me um bocadinho que perceberão porquê (acho que ter dado outra gargalhada no Nunca mais toca a campainha não faz de mim boa pessoa mas é o que é). Ah, O esquecimento... life sucks, é só o que tenho para dizer.

Um bom livro de terror (tal como de fantasia ou FC) é aquele que consegue fazer-nos pensar, reflectir sobre a realidade que nos rodeia. E a realidade que nos rodeia é de tal forma assustadora que os escritores deste género têm a vida facilitada (ahahah) mas a verdade é que a Rita consegue, com textos bastante curtos, fazer-nos parar para pensar. Uns temas são mais óbvios que outros, claro, mas é isso que se pretende. 

Uma palavra para as ilustrações deste livro. São do Edgar Ascensão e são maravilhosas. Poucos livros recorrem a imagens mas este fá-lo muitíssimo bem. 

Não sendo leitora de contos nem textos curtos (vocês já conhecem o meu amor por calhamaços), a verdade é que gostei bastante de ler este livro e irei, certamente, estar atenta às próximas publicações da autora.

Rita, para quando o segundo livro?