O PERFUME DE JASÃO
Desejo a eternidade como uma pomba nas minhas mãos.
Altazor. Huidobro.
AQUI, sobre o teu peito, sou pomba inofensiva.
Mas se me seguras em teus braços e me dizes a palavra que não espero, serei a fera zurrante que seduz outras feras e mata o irmão. Eu, que nunca tive as belas primaveras das outras mulheres, oferecer-te-ei velocinos de ouro que somente existem no esquecimento. Se são necessários os óbitos dos infantes, de Creúsa e Pélias, consumarei os meus crimes de amor. Mas tu, esposo, até onde te leva a ambição? É fraude a tua fragrância: impossível salvar o abismo de anosmia que nos separa. Toda a despedida é triste e bela como uma demolição.
in Agência do Medo (2004-2008)
de Santiago Aguaded Landero,
Colecção Palavra Ibérica
(obra vencedora do Prémio Internacional Palavra Ibérica 2009),
edição bilingue,
com tradução portuguesa de Tiago Nené
Nota: poema em pré-publicação. A obra sairá no mês de Março do presente ano.

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