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Set22

Maria do Rosário Pedreira

Pois sejam bem-vindos, depois de (espero bem) umas férias no campo, na praia, ou até na cidade, se ficaram por casa sem trabalhar, a pôr as leituras em dia. No mês que passou, tivemos infelizmente a calamidade dos incêndios, que parece piorar de ano para ano, morreu-nos a grande poeta (ela não gostava de «poetisa») Ana Luísa Amaral, de quem terei muitas saudades, e houve aquele tremendo ataque a Salman Rushdie que, depois de ter andado anos e anos escondido, foi apunhalado por um radical islâmico (e quase morto) quando falava de literatura e se achava finalmente livre de ameaças. O meu regresso faz-se em plena Feira do Livro do Porto e de Lisboa, e já me espera um fim-de-semana com autores a autografarem livros no Parque Eduardo VII com pavilhões novinhos em folha. Leio, entretanto, um livro que tinha começado há muitos anos em francês, quando estava noutra editora, e que ficou a meio nessa altura porque foi comprado por outra editora: A Elegância  do Ouriço, de Muriel Barbéry. Publiquei o romance de estreia desta autora (Une Gourmandise, não me lembro como lhe chamámos cá, já foi há tanto tempo), mas foi o do ouriço que lhe fez a carreira: as histórias contadas na primeira pessoa de uma porteira extremamente letrada (mas às escondidas) e de uma adolescente sobredotada, filha de uma jurista e de um político, que acha o mundo sem graça e tenciona suicidar-se um dia destes. Espero que tenham lido bons livros este Verão. Nos próximos tempos falarei dos que li.