Ontem fiz do meu sábado um domingo.

Depois do almoço deitei-me no colchão a arejar, onde o sol batia e aquecia. Deixei-me ficar assim quase duas horas.

Levantei-me para dar o lache à minha mãe e passei mais uma hora a ler o jornal Público da véspera, com um destaque de várias páginas a António Lobo Antunes. Na véspera, saí de casa de propósito para comprar esse jornal. Na véspera fiquei a pensar que, se não tivessem fechado o Jornal das Letras, também ele teria feito um número especial de homenagem.

Os excelentes textos de Isabel Lucas, a Miguel Esteves Cardoso fazem uma belíssima imagem do escritor e do homem que era escritor.

Um escritor como um cantor e um pintor é sempre a voz de qualquer coisa que está latente nas pessoas – António Lobo Antunes

Paulo de Medeiros, professor de literatura moderna e contemporânea, sugere: que se ponham em diálogo os romances Os Cus de Judas e Memória de Elefante com A Costa dos Murmúrios, de Lídia Jorge, um confronto entre prespectivas masculinas e femininas do trauma da guerra colonial.

O mesmo professor destaca que “ele denuncia logo nos anos 70 o trauma da guerra colonial, quando é tema absolutamente inominável na sociedade portuguesa”.

Ocorreu-me que a minha geração, nascida em liberdade ainda não interiorizou que estas são as vozes desse trauma colonial e que estamos a perdê-las, antes de verdadeiramente ouvi-las e por isso (veja-se a actualidade) condenadas/os a repetir os mesmos erros.

Já havia colocado a (re)leitura cronológica de Lobo Antunes nas minhas listas de leitura, tão poucos foram os livros que li. Por isso, parafraseando o Hugo, ALA, que se faz tarde!