Fonte:
Horas Extraordinárias
| Publicado em: 14/10/2016
reforma do ensino médio,
política educacional brasileira,
filosofia no currículo escolar,
crítica ao tecnicismo educacional
Maria do Rosário Pedreira
Leio num jornal que os novos governantes do Brasil vão fazer reformas profundas no ensino médio. Infelizmente, pela voz do jornalista, parece-me que o país se vai virar para um ensino mais técnico e menos abrangente, privilegiando áreas ditas técnicas e científicas e suprimindo a obrigatoriedade do estudo da filosofia e das artes. Os alunos terão uma carga horária muitíssimo superior – passará das actuais 800 horas anuais para as 1400 (nem vão ter tempo para brincar os pobres) – justificada pelo facto de que, só estando na escola a tempo inteiro, com horário de profissional, o aluno terá possibilidade de aprofundar (e se especializar) em uma de cinco áreas: «linguagens [línguas?], matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional.» Pois, mas então porque é que, mesmo com tanto tempo passado dentro da escola, desaparecem dos programas a filosofia, a sociologia, as artes e a educação física, que passam a ser apenas disciplinas opcionais? Cá para mim, a mudança traz água no bico – e ensinar a pensar deixou de ser uma coisa boa, tal como dar largas à criatividade dos estudantes. Por todo o lado o mesmo, enfim. Tristes reformas.
Texto originalmente publicado em Horas Extraordinárias