Quem é fã de ficção-científica ou cultura pop com certeza já pelo menos ouviu falar de Star Trek, uma franquia super rentável que trouxe inúmeras inovações — e, talvez, algumas polêmicas — na década de 60. Apesar de não me considerar uma exímia fã da série, não posso negar que ela me fascina. Que outra série no mundo é capaz de mesclar temas que vão de políticos a sociais, tudo durante grandes aventuras em uma nave espacial?


Para comemorar os 50 anos de Star Trek, foi lançado esse volume maravilhoso, que traz nada mais, nada menos que os bastidores desse grande sucesso de Gene Roddenberry, e o melhor de tudo: sem nenhuma censura. Para compor 50 Anos de Jornada Nas Estrelas — o primeiro livro de uma série de quatro —, Edward Gross e Mark A. Altman coletaram depoimentos e outros dados de várias pessoas que estão/estavam diretamente envolvidas no projeto, indo de roteiristas, produtores e até mesmo os membros do elenco. 

O espaço, a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise em sua missão de cinco anos para exploração de novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações. Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve. (Abertura do episódio The Man Trap, no Brasil o nome do episódio foi traduzido como O Sal da Terra)

Como era de se esperar, o livro é cheio de revelações surpreendentes como, por exemplo, em um trecho que George Pappy, diretor do filme The Green Girl, conta que Susan Oliver — que interpretava uma escrava verde de Órion em Star Trek — escreveu em sua autobiografia que "não foi fácil ser verde", porque, além de ter que passar horas para aplicar a maquiagem, notou um comportamento diferente por parte dos homens no set de filmagem, que chegavam a desviar os olhares dela. É muito engraçado ler coisas do tipo porque é justamente isso que Star Trek não pregava, não é mesmo? 

Esse primeiro volume se concentrou mais na série original, estrelada pelos inesquecíveis William Shatner, Leonard Nimoy e DeForest Kelley — além da Nichelle Nichols — e foi super interessante ler sobre o lado da série que poucas pessoas conhecem. A única coisa que me incomodou um pouquinho foi o fato de os capítulos serem longos demais, mesmo sendo repletos de pausas. Porém, o texto é tão fluido que esse incômodo acabou se tornando superficial. Não vejo a hora de ler os próximos volumes! 

É claro que, apesar de ser dedicado aos fãs, nada impede que aqueles que têm vontade de saber um pouco mais dos bastidores de Star Trek mais a fundo, e tenho certeza que agradaria até os leitores mais críticos. 

Título Original: The Fiftt-Year Mission

Autores: Edward Gross e Mark A. Altman

Páginas: 392

Tradução: Rodrigo Salem

Editora: Globo Livros

Livro recebido em parceria com a editora