Taylor Jenkins Reid é uma autora que tem feito bastante sucesso no universo literário, principalmente depois do lançamento de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo. Eu não li muitos livros dela, mas absolutamente todos que foram lançados no Brasil até hoje são bem avaliados. O real motivo de eu ter desejado tanto ler Amor(es) Verdadeiro(s) era confirmar se essa autora é realmente tudo isso. E ela é.
A história criada por Jenkins Reid nesse livro é doida na mesma intensidade que é clichê. Sei que muitos de vocês já vão ficar desanimados depois dessa minha afirmação, mas eu sempre gosto de lembrá-los que ser clichê não é um defeito, pelo menos não quando ele é bem desenvolvido. Aí que entra a maior qualidade dessa autora, saber desenvolver extremamente bem qualquer enredo.
Então, o que temos aqui é uma protagonista chamada Emma Blair, que foi casada com o amor da sua vida desde o colégio, Jesse Lerner, aquele atleta lindo que todas as garotas desejam. Vocês não leram errado, ela realmente foi casada: exatamente um ano após o casamento, Jesse faz uma viagem de trabalho para o Alasca e o helicóptero em que estava viajando cai no meio do oceano. Emma fica desolada, passa meses sem conseguir viver direito, sofrendo a perda do seu único e verdadeiro amor, até que consegue seguir em frente.
Emma volta a morar em sua cidade Natal, passa a tomar conta da livraria da família e sente que está voltando a viver de verdade. Numa enorme coincidência do destino, Emma reencontra Sam, um amigo dos tempos de escola, que faz com que ela volte a acreditar no amor, acreditar que a vida está te dando uma outra chance. É acreditando nisso que ela se entrega para Sam e resolve se casar com ele. Tudo vai muito bem, obrigada, até que ela recebe uma ligação. É Jesse, o marido morto que não está tão morto assim. Nem preciso falar mais nada, né?
A primeira coisa que eu preciso falar para vocês é que fiquei impressionada com a habilidade de Taylor Jenkins Reid de transmitir, através das páginas, a angústia da protagonista. Ela ainda ama Jesse (nunca deixou de amá-lo, na verdade), mas também ama Sam, então ela simplesmente não sabe o que fazer e a gente consegue sentir isso com ela. A autora mescla a narrativa entre passado e presente, de forma a nos fazer conhecer um pouco da história de Emma, Emma & Jesse e Emma & Sam. Obviamente esse método nos faz escolher um lado, e eu sou totalmente #TeamSam.
O mais engraçado de tudo é que, apesar de entender os sentimentos de Emma, eu senti muita raiva dela em inúmeros momentos e mais raiva ainda de várias decisões que ela tomava no decorrer do caminho. Só depois eu percebi que meus sentimentos foram esses justamente pelo fato de eu já ter tomado o partido do Sam, desde o começo. Mesmo quando estávamos acompanhando a adolescência deles ou início do relacionamento entre Emma e Jesse, não consegui gostar dele de fato e tudo piorou quando ele simplesmente ressurgiu das cinzas achando que estava tudo bem a Emma largar tudo o que ela tinha construído depois que ele desapareceu. Sentimentos muito conflitantes, porque apesar de sentir isso, eu entendia muito bem que o tempo parou para ele e ele simplesmente queria continuar de onde tinha parado.
O principal motivo de Amor(es) Verdadeiro(s) prender desde o início é o desejo que a gente tem de saber quem ela vai escolher, só que a narrativa ajuda demais nesse contexto, porque eu não sentia as páginas passando. A sensação que eu tinha era que eu tinha lido meia horinha, mas do nada já tinha avançado 20%, 30% na leitura. O final pode até ser previsível, mas a forma como Jenkins Reid chegou até ele foi inusitada — e um pouco incômoda para mim, pois não concordei com algumas atitudes de Emma —, não consigo tirar esse mérito dela.
Sim, o que move a leitura pode até ser o triângulo amoroso, mas o livro em si não é sobre ele. É sobre Emma Blair & como ela conseguiu superar uma perda enorme, sobre o amadurecimento e desenvolvimento da personagem após essa perda e, principalmente, sobre como ela descobriu quem era de verdade. Após Amor(es) Verdadeiro(s), entendi o porquê de tanto entusiasmo acerca da Taylor Jenkins Reid. E confesso que me juntarei a esse alvoroço.
Título Original: One True Loves ✦ Autora: Taylor Jenkins Reid
Páginas: 353 ✦ Tradução: Alexandre Boide ✦ Editora: Paralela
