Já faz um tempinho desde que assisti ao filme Sete Minutos Depois da Meia-Noite e me apaixonei pelo Conor. Naquela época eu não sabia que era uma história baseada em livro, mas assim que descobri fiquei morrendo de vontade de ler. Só consegui agora, quase dois anos depois — quase nunca tenho do que reclamar, só que de vez em quando o blog e os vários livros acumulados me impedem de ler algo que quero muito. Fiquei extremamente feliz com a oportunidade, porque não me decepcionei nem um pouco. Inclusive, o filme é bem fiel ao livro, o que me deixou ainda mais feliz.
Conor é um menino muito bonzinho e paciente. Com apenas 13 anos, aprendeu a se virar sozinho com algumas coisas, mas ele faz tudo de muito bom grado, principalmente depois que sua mãe ficou doente — e as sessões de quimioterapia a deixam ainda mais fraca. Ele é praticamente invisível: seu pai, depois que arrumou outra família, quase não entra em contato; se afastou de todos na escola quando descobriram que sua mãe tinha câncer, mas ainda assim é vítima de bullying. Conor esconde não só os seus problemas e sentimentos, mas também um segredo horrível, um pesadelo que o assombra todas as noites.
Um dia, exatamente às 00h07, Conor acorda no meio do pesadelo e escuta uma voz estranha o chamando, alguém que ele não reconhece. Para sua surpresa, a voz pertence ao velho teixo que vive na colina próxima a sua casa. Mas o teixo não é apenas uma árvore antiga, e sim um monstro que jura que só está cumprindo o chamado do garoto. Assim, o mostro promete que irá contar três histórias, mas que a quarta será narrada pelo menino, uma história verdadeira. A partir daí, vários encontros acontecem. A única coisa que Conor não imaginava é que é tão difícil lidar com a verdade.
Como podem perceber, a premissa de Sete Minutos Depois da Meia-Noite é bem simples, assim como a narrativa, algo esperável de um infanto-juvenil. Patrick Ness conseguiu desenvolver uma história muito bonita a partir das ideias de Siobhan Dowd — uma autora infantil que foi vítima do câncer — e acredito que foi isso que a tornou tão significativa. É quase como um conto de fadas, com várias metáforas e uma bela lição no final.
Acompanhar Conor foi deveras doloroso. Ele é um garoto muito triste porque a situação em que está inserido é muito triste. A mãe dele está com câncer em fase terminal, mas assim como qualquer pessoa, Conor tem esperança de que ela melhore. Isso faz com que nós tenhamos essa esperança também, mesmo sabendo que o futuro dela é tão incerto. O monstro, em minha opinião, é simplesmente uma metáfora para a dor: ele está ali quando o menino precisa conversar, extravasar, chorar, reconhecer uma verdade difícil...
Eu me emocionei muito com essa história. Ter visto o filme primeiro não tirou isso de mim. Fiquei me perguntando como um livro tão singelo pôde me tocar tanto, e cheguei a conclusão que em algum momento da vida nós fomos Conor (ou até poderemos ser, ainda): uma criança lidando com problemas grandes demais. Encontrar as respostas junto com o protagonista foi ainda mais emocionante. Com certeza guardarei Sete Minutos Depois da Meia-Noite com muito carinho no meu coração.
Título Original: A Monster Calls
Autor: Patrick Ness
Páginas: 160
Tradução: Paulo Polzonoff Junior
Editora: Novo Conceito


