2024 presenteou-nos com mais uma série baseada em vídeojogos, algo que se tem tornado uma tendência nos últimos anos e, com alguns sucessos (como The Last of Us) e alguns fracassos (como Resident Evil), por mim podem continuar.

Poster da série Fallout

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A série ocorre 200 anos após um ataque nuclear que destruiu a humanidade, apresentando-nos a Lucy e os seus "vizinhos" do cofre 33, um dos muitos bunkers que abrigaram a civilização sobrevivente ao longo de todos estes anos. Após um acontecimento grave nos bunkers, Lucy vê-se obrigada a sair e enfrentar a realidade "lá fora", onde percebe que a radiação não é o único perigo. Além de Lucy, Fallout é protagonizado por outras personagens e enredos paralelos: Maximus, um soldado de uma espécie de exército; e "o Ghoul", uma personagem misteriosa que parece ter uma ligação ao passado de há 200 anos.

Apesar de, tal como The Last of Us, ser uma série pós-apocalíptica, a verdade é que não podiam ser séries mais diferentes. Não só pelo perigo que as distingue, mas pelo facto de Fallout não se levar tanto a sério. Nota-se que é uma série mais divertida, apesar do cenário sério e trágico que a envolve; para além disso, tem certos elementos que nos dizem desde logo que não pretende ser uma série super hiper mega realista, nem fazer-nos sentir que "isto podia mesmo acontecer um dia".

Para mim, foi uma série que demorou a convencer-me. Tive há pouco tempo uma discussão com o meu namorado sobre histórias de ritmo lento - categoria em que colocaria Fallout, pelo menos inicialmente, que demorou a "pegar" -, e em como não me atraem tanto. Sinto que dizer isto, hoje em dia, é polémico - que alude desde logo à "geração TikTok" (da qual nem faço parte, mas tudo bem) e ao facto de que já ninguém consegue consumir conteúdo menos rápido e mastigado. Não tenho problemas em que as coisas levem o seu tempo, mas é preciso saber-se trabalhar com isso. Severance, por exemplo, tem um ritmo bastante lento e, no entanto, é uma das minhas séries preferidas. Mas se, pura e simplesmente, não há nada de nada a acontecer, desculpem, mas vão perder-me um pouco. Em todo o caso, eu já por aqui disse 1001 vezes que os enredos e as histórias são mesmo o que mais me interessa nas obras, e que conteúdos que coloquem esses aspetos em segundo plano em prol de outros tendem a ser dos que menos me agradam.

Tudo isto para dizer, mais uma vez, que Fallout demorou um pouco a convencer-me, de facto. Não é que fosse má série, de todo, mas a história estava a demorar a engrenar, não havia nada que me agarrasse. Eventualmente, porém, um dos episódios apresentou algo que começou - aí sim! - a suscitar o meu interesse. Desde então, devorei o resto da série e, no final de contas, acabou por me agradar bastante.

Gosto que efetivamente seja uma série que não se leve tão a sério - acaba por, dessa forma, não só nos apresentar alguns momentos mais divertidos e engraçados, como mostrar-nos alguns elementos menos realistas que acabam por fazer parte da própria lore deste universo e de contribuir para a sua identidade própria.

Esta primeira temporada acabou por ser bastante interessante, tendo conseguido o equilíbrio ideal entre dar-nos algumas respostas necessárias e deixar-nos com mais perguntas - e com muita curiosidade de ver de que forma os seres humanos vão renovar os estragos no mundo após a grande mudança que ocorre no final. Além disso, ainda há alguns mistérios por resolver, como a situação do Ghoul, por exemplo.

É difícil que alguém ainda não tenha visto esta série, mas se ainda não o fizeram, recomendo! Pode ser vista no Prime.

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Para quem já viu: o que acharam? O interesse, para vocês, também foi demorado ou, tal como a maioria das pessoas que viu, conquistou-vos desde logo?