Título: Ana Terra
Autor: Erico Veríssimo
Páginas: 112
Editora: Companhia das Letras
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Minha mãe vivia me dizendo que eu precisava ler esse livro a qualquer custo. Ela tanto disse que minha curiosidade só ficava maior. Um dia, passeando pelo Extra, vi que o livro estava em promoção e mamãe acabou me dando de presente. Se preparem, porque nunca vi tanta tristeza em tão poucas páginas.
Ana Terra mora com seus pais e os dois irmãos em uma pequena estância no interior do Rio Grande do Sul. A família tinha uma vida bastante sofrida e a única coisa que faziam era trabalhar. Foi em um desses dias de trabalho duro que, enquanto lavava roupa, Ana encontra Pedro Missioneiro ferido na beira do rio.
Desde as primeiras páginas do livro percebemos o desejo de Ana de se mudar para um lugar onde haja moças da sua idade, comércio, rapazes... Em outras palavras, para um lugar onde exista espaço para todos os seus desejos e anseios, desejos esses que foram crescendo desde a chegada de Pedro.
Ana sentia um misto de fascinação, ódio, nojo e, é claro, vontade. É óbvio que toda essa repulsa é só um pretexto para esconder o desejo carnal que sentia pelo homem, já que naquela época não era permitido para as mulheres ter contado com os homens, que diria então ser tocadas (ou amadas) por eles. Não é difícil imaginar o que acontece em seguida.
No fim das contas, que era mesmo que ela sentia por Pedro? Amor? Nojo? Ódio? Pena? Às vezes surpreendia a querer que ele morresse de repente, ou então que fosse embora, deixando-a em paz. Talvez fosse melhor que aquilo não tivesse acontecido... Ou melhor, que Pedro nunca tivesse aparecido na estância.
Como a história se passa em meados do século XVIII, o livro mostra também, de forma bem triste, diga-se de passagem, a disputa pelo território brasileiro. Essa disputa se revela mais cruel ainda na medida que os castelhanos passam por todos os vilarejos destruindo tudo o que podiam e matando pessoas.
O romance de Erico Veríssimo é incrível não só pela contextualização histórica em que a narrativa é construída, mas também pelo foco no sofrimento da população naquela época. Se os homens sofriam, conseguem imaginar o que as mulheres sentiam? Veríssimo conseguiu, através de Ana, a triste realidade de todas as mulheres que não tinham o direito nem da felicidade.
Apesar de ser bastante curta, a história é dotada de bastante emoção e reflexão, que chama atenção pela simplicidade e realidade em que os fatos acontecem. Mostra o dia a dia de um povo que dá duro para conseguir o próprio sustento, que sonha e tem ambições e, mesmo na dificuldade, encontra meios para seguir em frente.
