Mariana M. Braga
Uma ideia ousada e um resultado fantástico: Ricardo III, de Shakespeare, contada por um único ator. O mais interessante é que poucas vezes vi um público sair tão animado de uma sessão de peça shakespereana. Com a direção de Sérgio Módena, Gustavo Gasparani é didático e flexível: a transição entre suas narrações e as interpretações de cada personagem é sutil, mas as personagens são inconfundíveis.
E, ainda que o palco seja preenchido apenas com um quadro branco, mesa, cadeiras e alguns outros objetos, nos sentimnos realmente transportado à idade média e à realidade da Inglaterra da época da Guerra das Rosas. Ao mesmo tempo, há referências ao Brasil em alguns sotaques e palavras, o que confere à peça um toque de humor e de proximidade.
Isso não quer dizer que a emoção da peça se esvaia. Não se vê tragédia pura, mas se vê densidade de emoções. O que prevalece é o toque farsesco, principalmente ligado ao personagem principal, grande ganancioso que tudo faz para conquistar o trono. Essa montagem de Ricardo III é uma aula sobre o texto, o contexto histórico que inspirou Shakespeare e é uma fantástica transposição de um clássico para a realidade contemporânea.
