Título Original: Grey
Autora: E. L. James
Páginas: 524
Tradução: Adagilsa C. Silva, Julia Sobral Campos, Maria Carmelita Dias
Editora: Intrínseca
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Quando eu li Cinquenta Tons de Cinza há uns dois anos atrás (e só primeiro volume da série, não consegui ler os outros dois de jeito nenhum), fiquei tentando imaginar o porquê de tanto sucesso. Como diz a minha mãe, tem gosto para tudo. Mas enfim, o ponto em que eu quero chegar é que mesmo tendo detestando a visão de Anastasia Steele para essa história, minha curiosidade para saber a visão do enigmático Christian Grey estava gigante. 

Todo mundo sabe quando uma história faz sucesso demais e tal história é originalmente narrada pela personagem feminina, podemos esperar a visão masculina. Há quem ame, há quem odeio, mas o fato é que iremos ler a mesma coisa. Eu mesma não coloco lá muitas expectativas nesses livros, já que sei exatamente o que vai acontecer. No caso de Grey, o único diferencial foi conhecermos o interior de Christian, sempre muito introspectivo. Nesse ponto a autora acertou, já que Grey é um personagem muito mais interessante e melhor construído do que a mocinha.

Aqui, encontramos uma narrativa muito mais sombria e infinitamente mais escrachada do que em Cinquenta Tons de Cinza, afinal, querendo ou não é um homem narrando e os pensamentos dele são muito mais fortes. Conhecemos um pouco da misteriosa relação de Christian com Elena, detalhes sobre a sua infância antes e depois de ser adotado e várias outras coisas que deixaram a maioria dos leitores mortos de curiosidade, mas ainda assim não achei suficiente.

Preciso dela na minha vida, na minha cama. Ela iluminava meus dias. Vou conquistá-la de volta.

Eu sei que já devia estar acostumada nessa altura do campeonato, mas meu Deus, o linguajar dele me irritava completamente. Okay, nas muitas cenas de sacanagem, dominação e todas essas coisas que eu já estava esperando eu não me assustava, mas o jeito de ele conversar normalmente era muito vulgar. Os pensamentos então, acho melhor nem comentar. Mas uma coisa que eu gostei de ler foi o avanço do sentimento de Christian pela Ana, aqui eu pelo menos tive a impressão de que foi real. 

Gente, vocês que são fãs que me desculpem, mas eu preciso falar: COMO QUE UMA CRIATURA ACEITA FAZER UM CONTRATO DE DOMINAÇÃO EM UM RELACIONAMENTO PELO AMOR DE DEUS? Porque nossa, com certeza o sonho de TODA mulher é que todos os aspectos da vida dela sejam controlados por um homem, nossa sem ora. Não consigo nem pensar que existem mulheres que aceitam esse tipo de coisa... Quem em sã consciência entra em um quarto cheio de brinquedos masoquistas e acha lindo? Deus me livre. Para mim isso está longe de ser um relacionamento normal, quanto mais saudável. 

Infelizmente eu esperava alguma coisa diferente. Sim, eu juro que esperava. A impressão que tive foi que a  E. L. James simplesmente pegou o arquivo de Cinquenta Tons de Cinza e mudou uns pensamentos aqui e acolá. Esperava muito mais da sua infância conturbada, como já disse antes e, principalmente, da sua vida antes de conhecer Anastasia. Como já disse antes, cada pessoa tem um gosto diferente, mas acho bem triste um livro tão fraco fazer tanto sucesso, ainda mais se compararmos com algumas outras obras brilhantes que não tem tanta visibilidade.