Este livro foi uma boa surpresa.
Raynor e o marido perderam a quinta depois de um mau investimento num negócio. Aos 50 anos, tornaram-se sem abrigo. Para piorar a situação, Moth é diagnosticado com uma doença neurológica grave.
Sem casa, o casal decidiu percorrer os 1013 quilómetros do caminho da Costa Sudoeste da Inglaterra tentando fazer render as 48 libras por semana que recebem do governo.
Era um sonho. Nada era real. Afastávamo-nos de vinte anos de vida familiar, de vida profissional, de tudo o que tivemos, esperanças, sonhos, o futuro, o passado. Não rumávamos a um novo começo; nem a uma vida que se ia abrir à nossa frente. A terra abriu uma brecha; estávamos do lado de lá de um vazio que jamais podíamos atravessar.
Além das descrições do caminho, Raynor escreve muito sobre ser sem abrigo e sobre o contraste entre ela e o marido que fazem aquele percurso com pouco dinheiro e chegam a passar fome, e todos os turistas que vão encontrando pelo caminho.
Quando escreveu este livro Raynor não sabia isto, mas este livro seria o seu bilhete de lotaria. Vendeu mais de um milhão de exemplares. Ganhou vários prémios. E Raynor tornou-se autora de mais dois livros (que espero que sejam traduzidos em breve): Landlines e The wild silence. Uma belíssima história com um final feliz (dentro do possível).
O livro foi, entretanto, adaptado a filme, cujo trailer podem ver aqui.
