Outubro é o meu mês preferido do ano por motivos óbvios: Halloween. Quem acompanha o Roendo Livros desde o início sabe que o meu gênero literário que mais gosto de ler é Terror, então nada melhor que uma listinha de livros sobre o assunto para comemorar, não é mesmo?

Fábio Yabu

Em 'Branca dos Mortos e os Sete Zumbis', Fábio Yabu resgata a tradição clássica dos contos de fadas dos irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen, onde as histórias, mais que um simples entretenimento, servem como lições para moldar o caráter das crianças, na maior parte das vezes por meio do medo. Aqui, não há meias-palavras nem eufemismos. O mundo encantado de Yabu é atormentado, sombrio e com altas doses de tensão sexual. Os contos seguem o mote de sucessos da televisão atual, como as séries Grimm e Once Upon a Time. Protagonizadas por personagens dos contos de fadas, revelam facetas nunca antes imaginadas de suas personalidades. Além disso, os doze contos que compõem Branca dos Mortos e os sete zumbis formam uma narrativa não-linear que culmina num desfecho aterrorizante. A obra ainda conta com as ilustrações de Michel Borges, que acompanha o autor desde seus primeiros projetos. As ilustrações de Michel homenageiam os desenhos clássicos dos contos de fadas, com toques sombrios, e complementam a atmosfera sinistra e misteriosa criada por Yabu.

Branca dos Mortos é um livro de contos, que se aproxima dos contos de fadas como foram feitos originalmente. Eles serviam de alerta pra crianças não irem pras florestas ou falarem com estranhos. Fábio Yabu, além de resgatar essa atmosfera, coloca o terror junto. Além disso, todas as histórias se ligam no fim das contas, e é medonho... Bem diferente do que qualquer coisa que eu já li.

O Vilarejo

Raphael Montes

Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome.
As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.

Outro livro nacional de extrema qualidade. O Vilarejo também é um livro de contos onde cada história é ligada a um pecado capital e a um demônio. Só que o mais interessante desse livro é que os verdadeiros vilões são os seres humanos que moram no vilarejo. 

Stephen King

O corpo de um menino de onze anos é encontrado abandonado no parque de Flint City, brutalmente assassinado. Testemunhas e impressões digitais apontam o criminoso como uma das figuras mais conhecidas da cidade — Terry Maitland, treinador da Liga Infantil de beisebol, professor de inglês, casado e pai de duas filhas.
O detetive Ralph Anderson não hesita em ordenar uma prisão rápida e bastante pública, fazendo com que em pouco tempo toda a cidade saiba que o Treinador T é o principal suspeito do crime. Maitland tem um álibi, mas Anderson e o promotor público logo têm amostras de DNA para corroborar a acusação. O caso parece resolvido.
Mas conforme a investigação se desenrola, a história se transforma em uma montanha-russa, cheia de tensão e suspense. Terry Maitland parece ser uma boa pessoa, mas será que isso não passa de uma máscara? A aterrorizante resposta é o que faz desta uma das histórias mais perturbadoras de Stephen King.

Impossível falar sobre livros de Terror e não citar Outsider, o novo livro do King, que nunca deixa de surpreender. Mais uma vez esse livro junta romance policial com terror, mais ou menos como em Mr. Mercedes. Como é um pouquinho diferente do comum do King, eu indico pra quem tem muito medo de fantasma e coisas sobrenaturais, já que aqui os maiores vilões também são humanos (igualzinho em It, a Coisa).

Mindhunter

John Douglas & Mark Olshaker

Em detalhes assustadores, Mindhunter mostra os bastidores de alguns dos casos mais terríveis, fascinantes e desafiadores do FBI.
Durante as mais de duas décadas em que atuou no FBI, o agente especial John Douglas tornou-se uma figura lendária. Em uma época em que a expressão serial killer, assassino em série, nem existia, Douglas foi um oficial exemplar na aplicação da lei e na perseguição aos mais conhecidos e sádicos homicidas de nosso tempo. Como Jack Crawford em O Silêncio dos Inocentes, Douglas confrontou, entrevistou e estudou dezenas de serial killers e assassinos, incluindo Charles Manson, Ted Bundy e Ed Gein.
Com a força de um thriller, ainda que terrivelmente verdadeiro, Mindhunter: o primeiro caçador de serial killers americano é um fascinante relato da vida de um agente especial do FBI e da mente dos mais perturbados assassinos em série que ele perseguiu. A história de Douglas serviu de inspiração para a série homônima da Netflix, que conta com a direção de David Fincher (Garota Exemplar e Clube da Luta) e Jonathan Groff, Holt McCallany e Anna Torv.

Mindhunter é sobre o pessoal do FBI que começou a investigar assassinos — inclusive tem a série da Netflix, que faz muito sucesso —, e como eles alcunharam o termo serial killer com base no estudo dessas pessoas, no padrão delas. Também fala sobre o que isso gerou para a ciência, para as pesquisas futuras e como afetou o trabalho policial. São histórias reais sobre os assassinos e o que aconteceu com os investigadores.

Daniel Cole

O polêmico detetive William Fawkes, conhecido como Wolf, acaba de voltar à ativa depois de meses em tratamento psicológico por conta de uma tentativa de agressão. Ansioso por um caso importante, ele acredita que está diante da grande chance de sua carreira quando Emily Baxter, sua amiga e ex-parceira de trabalho, pede a sua ajuda na investigação de um assassinato. O cadáver é composto por partes do corpo de seis pessoas, costuradas de forma a imitar um boneco de pano.
Enquanto Wolf tenta identificar as vítimas, sua ex-mulher, a repórter Andrea Hall, recebe de uma fonte anônima fotografias da cena do crime, além de uma lista com o nome de seis pessoas – e as datas em que o assassino pretende matar cada uma delas para montar o próximo boneco. O último nome na lista é o de Wolf.
Agora, para salvar a vida do amigo, Emily precisa lutar contra o tempo para descobrir o que conecta as vítimas antes que o criminoso ataque novamente. Ao mesmo tempo, a sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf, e o detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele – e com seu passado – do que qualquer um possa imaginar.

Boneco de Pano é sobre um serial killer cujo modus operandi é costurar pedaços de suas vítimas de forma que pareçam um boneco de pano. Os investigadores precisam prender o assassino com urgência porque o protagonista, que também é investigador, é um dos próximos da lista do cara, então rola um suspense bacana. Apesar de eu ter achado um tico previsível, acho que é uma boa leitura pra quem tá começando no gênero.