Mesmo sabendo praticamente toda a história de Tudo e Todas as Coisas — caí na besteira de assistir ao trailer e ele revela coisas demais —, inclusive o final, eu quis me aventurar nesta leitura. Isso porque me apaixonei pela escrita da Nicola Yoon desde que li O Sol Também é Uma Estrela, então eu tinha certeza que seria impossível não gostar desse livro, mesmo lendo-o sem expectativa nenhuma. Gente, e não é que minha escolha foi certeira!?

A princípio, o enredo dessa obra é bastante simples. Madeline é uma jovem de dezoito anos que não pode sair de casa em hipótese alguma, já que ela possui uma doença muito rara. Uma pessoa portadora da imunodeficiência combinada grave (IDCG), mais conhecida como "doença da bolha", possui o nível de anticorpos tão baixo que qualquer coisa, desde um alimento desconhecido, um ar poluído e até mesmo o contato com pessoas pode desencadear uma série de doenças que podem ser fatais.

De acordo com a Teoria do Big Bang, o universo surgiu num único momento: um cataclismo cósmico que deu origem a buracos negros, anãs marrons, matéria e matéria escura, energia e energia escura. Tudo isso fez nascerem as galáxias, estrelas, luas, sóis, planetas e oceanos. É um conceito difícil de assimilar: a ideia de que houve um tempo antes de nós. Um tempo antes do tempo.
No princípio, não havia nada. E, de repente, havia tudo.
(p. 199)

Tudo o que Madeline conhece é o interior de sua casa e convive com apenas duas pessoas, sua mãe e sua enfermeira que cuida dela desde sempre. Ela estuda em casa com a ajuda de tutoria online e vive no mundo dos livros — obviamente isso é um dos pontos que fazem a gente se identificar tanto com a personagem. Mesmo sendo tão reclusa, ela se considera uma pessoa extremamente feliz e sortuda, mas seus pensamentos quanto a sair de casa e levar uma vida normal mudam da água para o vinho quando Olly se muda para a casa ao lado e eles começam uma amizade virtual.

Então, não é segredo algum o fato de Maddy e Olly engatarem um romance. É óbvio que não é isso que surpreende os leitores, mas sim a forma como Yoon vai nos apresentando os fatos. A autora toma tanto cuidado nos assuntos abordados — família, alcoolismo, relacionamentos abusivos — que a narrativa é bastante real. O que eu quero dizer é que Nicola Yoon consegue tornar incrível, sensacional e memorável uma história que tem de tudo para ser apenas "ok" e isso é o que eu mais admiro nela.

A matemática do Olly diz que é impossível prever o futuro. Acontece que também é impossível prever o passado. O tempo flui nas duas direções — para frente e para trás — e o que acontece aqui e agora antera tanto um quanto o outro. (p. 227)

Quanto aos personagens, o que mais ganhou o meu coração foi Olly com a sua personalidade nada exagerada. Quer dizer, o menino conseguia ser fofo, romântico, carinhoso, super engraçadinho, mas tudo sem parecer forçado. Aí fica a questão: como não amar um personagem desses? Maddy também não fica atrás, apesar de ter me incomodado um pouco com a sua ingenuidade, mas como exigir maturidade de um personagem de dezoito anos que nunca saiu de casa e convive apenas com duas pessoas? É claro que a única personagem que tive vontade de esfregar a cara no asfalto foi a mãe da protagonistas, mas vocês mesmos terão que descobrir o porquê. 

Tudo e Todas as Coisas é uma leitura leve, perfeita para se ler em apenas um dia e até mesmo para sair daquela ressaca literária infernal. Fiquei simplesmente encantada com tudo, não consigo achar uma única coisa que me desagradou nesse livro. Até a diagramação tem suas peculiaridades, como desenhos, listas, prontuários médicos, tudo que deixa a leitura muito mais cativante. Mais uma vez, Nicola Yoon mostra o seu potencial e não decepciona. 

Título Original: Everything, Everything

Autora: Nicola Yoon

Páginas: 280

Tradução: Janaína Senna

Editora: Arqueiro 

Livro recebido em parceria com a editora