Título: As Vidas e as Mortes de Frankenstein
Autora: Jeanette Rozsas
Páginas: 176
Editora: Geração Editorial
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Sabe aquele livro que a gente pega para ler quase que por obrigação, só para dar uma diminuída na pilha? Pois foi isso mesmo o que aconteceu comigo quando fui ler As Vidas e as Mortes de Frankenstein. Pelo título eu esperava que fosse um livro denso, com uma narrativa mais científica e uma história totalmente cansativa. Não se deixem enganar por essa capa feinha: paguei língua, me surpreendi. Encontrei histórias riquíssimas e instigantes nesse livro.
Jeanette Rozsas narra em pouco menos de 200 páginas um tema muito polêmico: será possível para a ciência passar por cima de tudo para conseguir driblar a morte? Para tentar responder essa pergunta, a autora utiliza três épocas e personagens diferentes, de forma totalmente inovadora. As histórias se passam, respectivamente, no século XXI, XIX e XVII, cada uma com seu vocabulário e características únicas, e acabam se cruzando em determinado ponto. Foi uma bela sacada da autora, já que o que une os personagens é a paixão exacerbada pela ciência.
A primeira história se passa em meados de 2010, conhecemos a médica e cientista Elizabeth Medeiros, que conseguiu um estágio muito bom em uma faculdade ainda melhor na Alemanha. Sua narrativa é dada em forma de e-mail e cartas, além de alguns tweets (sou viciada em Twitter, vocês imaginam o quanto eu adorei isso, né?). Na segunda história, ambientada no século XIX, conhecemos o jovem casal Mary Godwin e Percy Shelley, que fugiram de tudo e de todos por estarem apaixonados. Acabaram levando Jane Clairmont a tiracolo, porque esta implorou para ir junto na aventura dos dois. A última narrativa se passa no século XVII e nos apresenta Max Muller, um garoto de apenas 15 anos que sonha em descobrir os segredos do universo, e seu mestre, Johann Konrad Dippel, um alquimista que vive em função de encontrar a fórmula do elixir da vida.
[...] a imortalidade só pode mesmo nos ser dada pela arte. (pág. 156)
O que mais me agradou nessa obra foi descobrir que Rozsas utilizou personagens reais e fictícios para construir a história. Mary Godwin e Percy Shelley são escritores ingleses tão importantes quanto podem ser. Mary Godwin e ninguém mais, ninguém menos que Mary Shelley, autora do livro Frankenstein, que é mundialmente reconhecido. Johann Konrad Dippel realmente existiu e é uma lenda que persiste até hoje. Com certeza a história do alquimista e do seu jovem discípulo foi a que mais me instigou, ficava o tempo inteiro ansiando para as partes em que a história dos dois era narrada.
Outro destaque dessa edição são algumas páginas em papel especial que possuem algumas pinturas, retratos realistas de alguns personagens da obra, como Mary Godwin, Percy Shelley e Johann Konrad Dippel. Tem até uma foto super linda do castelo dos Frankenstein, que é o lugar onde Dippel vivia e fazia os seus experimentos (o castelo existe sim, gente). Há também uma bibliografia no fim do livro, que mostra que Jeanette Rozsas estudou não só os personagens, mas todos os elementos que compõe essa magnífica história.
Para mim, o ponto alto do livro foi a mensagem deixada pela autora, por mais que o tempo passe e a tecnologia avance, nada nesse mundo conseguirá acabar com a morte. Afinal, essa é a única certeza que temos: para morrer, basta estar vivo.
