10
Ago25
Vera

A minha saga com crochet começou ainda no ano passado, por volta de Março/Abril, quando decidi aprender a fazer. Na altura, quis começar por fazer um cachecol e rapidamente desisti — ele começou a encurtar e, como qualquer iniciante ignorante do assunto, foi aí que descobri que precisava de contar pontos para não saltar nenhum. Bom, a "lã" que escolhi também não ajudou: de acrílico, era simplesmente impossível conseguir discernir os pontos em si.
Comprei uma de algodão e, assustada com a primeira experiência que de pouco valeu — ainda hoje tenho o cachecol como o deixei, já estava tão avançada e a lã é tão péssima que nunca o desfiz —, comecei então apenas a treinar os pontos básicos. Fiz pedaços pequenos de cada ponto e depois comecei a fazer quadrados que ainda hoje mantenho como bases para copos. Depois fiz uma base circular — que é tudo menos um círculo, está mais para um hexágono esquisito — e... parei.

Acho que comecei a sentir-me aborrecida por estar a fazer coisas tão básicas mas, ao mesmo tempo, não senti confiança suficiente para avançar para projetos mais "a sério". E portanto, parei. Parei até há um ou dois meses — sim, passou praticamente um ano desde que tinha feito algo em crochet pela última vez. Desta vez, decidi começar pequeno para me habituar, mas ir avançando na complexidade de projetos.
Tinha medo de não me lembrar de nada, mas acompanhar vídeos é fácil e assim que apanhei o jeito foi como se nunca tivesse esquecido. Comecei por fazer um pequeno laço (que acho amoroso), avancei para dois marcadores de livros com um ponto diferente, que nunca tinha feito. Parei um mês depois dos marcadores mas voltei nos últimos dias para fazer uma bolsa para guardar as minhas agulhas e as "molas" para contar pontos.

E todos estes projetos, absolutamente todos têm tido defeitos — alguns com os quais vou aprendendo, outros que ainda não estou a conseguir compreender ou contornar. Por vezes, o meu lado perfecionista toma conta da situação e faz-me sentir mal por não conseguir sair desta curva de aprendizagem. Mas tento lembrar-me sempre que é normal. E celebrar os progressos, que existem — tal como sentir que a tensão que aplico está cada vez melhor, que consigo cada vez mais facilmente compreender a estrutura dos pontos/linhas e que tenho conseguido ganhar mais rapidez.

No último ano, tenho descoberto o quão importante é termos hobbies que nos preencham e nos sirvam em momentos diferentes, acima de tudo que nos façam sair dos ecrãs (literal ou figurativamente). Sou muito de fases e posso passar algum tempo sem imergir num, mas por agora descobri três que me fazem sentir bem: colorir, fazer crochet e aprender italiano.
Estou pronta para continuar a avançar nesta aprendizagem e sinto-me preparada para começar a fazer amigurumi, que no fundo sempre foi a principal razão de ter querido aprender a fazer crochet. Acho que há imensos bonequinhos adoráveis. Vou também fazer uma capa para o e-reader do meu namorado, já que ele fez essa sugestão depois de lhe mostrar a bolsa que fiz para os materiais de crochet, e eu achei boa ideia.

Apesar da voz auto-crítica que por vezes se faz sentir, estou muito orgulhosa de — ainda que inconsistentemente — conseguir manter este hobby. Primeiro, por ser capaz de não deixar que aquela voz me vença a vontade; por conseguir manter-me na curva de aprendizagem, com todos os pontos menos bons que isso implica. O meu eu de há uns anos nunca sonharia em insistir em algo que não saía bom à primeira — muito menos em algo que não sai 100% bom nunca. De facto, não quer dizer que seja fácil ignorar todos os defeitos que encontro, ou relembrar-me a mim própria que não é suposto sair tudo perfeitinho, muito menos nesta fase. Mas, apesar de não ser fácil, tenho conseguido fazê-lo e não me tem impedido de continuar. O que virá mais daqui, não sei, mas estou curiosa para saber onde isto me irá levar.