Quase sempre nós utilizamos a leitura como forma de diversão e entretenimento, até porque na maioria das vezes a gente já tá tão cansado de estudar que não quer ficar preso em coisas muito complicadas fora do âmbito acadêmico, né? Em contrapartida, eu concordo que às vezes a gente precisa de leituras mais sérias, como Pequeno Manual Antirracista. Mas não se preocupem porque de complexo esse livro não tem nada, já que Djamila Ribeiro usa toda sua desenvoltura para trazer uma linguagem simples a esse assunto tão importante do nosso cotidiano.

Apesar da pouca quantidade de páginas, 136, esse manual é carregado de reflexões. E justamente pelo fato de ser curtinho, Djamila é muito precisa nos temas que aborda: políticas raciais afirmativas, privilégio branco, racismo estrutural, lugar de fala, combate à violência racial, a própria luta antirracista e vários outros conceitos que, assim como todo manual, são ensinados a quem o lê.

É claro que não vai ser uma leitura do tipo "10 passos para se tornar antirracista", até porque vivemos numa sociedade onde o racismo está enraizado, ou seja, é um processo de desconstrução. O interessante são os questionamentos que a autora traz a tona e a forma como ela tenta nos fazer enxergar além da bolha em que vivemos, além de nos fazer compreender o papel de cada indivíduo na luta antirracista.

Para entenderem a importância do Pequeno Manual Antirracista, deixo aqui para vocês algumas estatísticas que revelam e comprovam a desigualdade racial em nosso país:

1. Taxa de analfabetismo

No Brasil, a taxa de analfabetismo entre os negros (9,1%) de 15 anos ou mais é superior ao dobro da taxa de analfabetismo entre os brancos da mesma faixa de idade (3,9%), segundo o IBGE.

2. Renda per capta e taxa de emprego

Ainda de acordo com o IBGE, pretos e pardos tinham um rendimento domiciliar per capita de R$ 934 no ano de 2018. No mesmo ano, os brancos ganhavam praticamente o dobro, cerca de R$ 1.846. A taxa de desocupação entre os negros em 2018 foi de 14,1%, contra 9,5% entre os brancos.

Nesse sentido também é possível afirmar que pardos e pretos normalmente são mais pobres que brancos: em 2018, 15,4% dos brancos viviam na pobreza, mas o percentual era maior entre pretos e pardos, chegando a 32,9%.

3. Violência policial

No Brasil, os negros são as vítimas em 75% dos casos de morte em ações policiais. Além disso, entre os presos com dados disponíveis no sistema sobre cor de pele, raça ou etnia, 67% são negros, e os brancos, 32%. Na sociedade brasileira, esses dois grupos são, respectivamente, 56% e 44%.

Todos os dados foram retirados da reportagem da BBC intitulada Protestos por George Floyd: em seis áreas, a desigualdade racial no Brasil e nos EUA. Acessem o link para mais informações sobre o assunto.

Título Original: Pequeno Manual Antirracista ✦ Autora: Djamila Ribeiro

Páginas: 136 ✦ Editora: Companhia das Letras

Livro recebido em parceria com a editora