Giovana Proença As lágrimas da história se derramam por mais um túmulo caixão de chumbo que enterra lembranças áridas das injustiças mundanas Só uma testemunha relata o horror da paisagem indizível sanguinário com assombrosa naturalidade Sinto o silêncio perigo da prisão rejeito os rejeitos sei que hão de nos calar apanhados nas artimanhas estandartes da morte nos corpos políticos Desarmada na mira alvo do sanguinário monstro de discursos inflamados que prega a destruição das crenças que guardo no sigilo vítima indigesta da invisibilidade Muros construídos em terrenos da dor futuras ruínas em que fundaremos o clamor Hoje sou enterrada mas deixo rastros o solo ecoa em adubo gritos sepultados. Publicado por Giovana Proença Taubateana de 2000. É pesquisadora na área de Teoria Literária na USP. Tem textos sobre livros e literatura publicados em jornais como Rascunho, Estado de Minas e O Estado de S. Paulo Ver todos os posts de Giovana Proença