05
Abr23
Maria do Rosário Pedreira
Já não me recordo se cheguei a bater palmas aqui no blogue, mas, se não o fiz aqui, fi-lo em milhares de sítios, porque fiquei muito contente com a circunstância de o mais recente Prémio Pessoa ter sido atribuído a João Luís Barreto Guimarães. Em primeiro lugar, por ser escritor; em segundo, por ser poeta; em terceiro, por publicar na mesma editora que eu (sem contar com Vasco Graça Moura, acho que somos praticamente os únicos autores que caminhamos juntos desde a velhinha Quetzal na nova Quetzal); e, por último, por ser uma pessoa de quem gosto muito, está dito. Saiu entretanto um livrinho novo com uma capa espectacular (Vermeer é um dos meus favoritos!) deste novíssimo Prémio Pessoa, Aberto Todos os Dias, mas amanhã sairá também a sua Poesia Reunida, o que é uma excelente notícia. São 12 livros num, desde 1989 (tinha o poeta 22 anos) até hoje, de uma poesia que foi obviamente crescendo, mas nunca perdeu o apego delicioso ao quotidiano e até um certo humor muito subtil que é raro nos poetas portugueses que escrevem abaixo do Douro (sim, incluo-me nos deprimidos). Vão ser quase 400 páginas de ler e chorar por mais. E uma capa de sonho, claro. (Vermeer? Confirme!)