06
Abr23
Maria do Rosário Pedreira
Não sei já em que ano, mas não há muito tempo, assisti no CCB a uma bela encenação de Miguel Loureiro do texto que Marguerite Duras escreveu a partir de A Fera na Selva, do romancista Henry James. Estudei Henry James na faculdade (The Turn of the Screw, que cá estava traduzido como Calafrio) e nessa altura, ou pouco depois, li Daisy Miller (e já tinha visto um filme baseado neste livro, com a Cybill Shepherd, mas já nada lembro dele). Não tenho ideia de ter voltado ao autor, e sei lá se voltaria, não fosse ter saído recentemente uma tradução de A Fera na Selva feita pela minha amiga Ana Maria Pereirinha, com quem trabalhei muitos anos em várias editoras. E, de facto, fiquei de alma cheia com a leitura, porque esta novela de Henry James (nascido americano e morto inglês, se não me engano) é uma prenda para qualquer pessoa que goste de um livro em que não exista um grama de gordura; é uma concentração de absoluto génio (em linguagem e assunto) que não é para qualquer escritor (nem qualquer tradutor, mas esta é das boas!); uma jóia que não se pode pode perder e é para ir degustando porque o seu grau de sofisticação e labor estético não se adapta às pressas destes nossos tempos, nos quais muitos não conseguem ler seguidas mais de cinco ou dez linhas sem suspirar de cansaço. Este é um livro para os amantes de um texto difícil, pensante, misterioso, excepcional. Em boa hora regressei ao senhor James. Boa Páscoa!